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O legado bolivariano

Nélson Rodrigues dizia que subdesenvolvimento não se improvisa: é uma longa e penosa elaboração.

Por Ruy Fabiano Atualizado em 30 jul 2020, 19h57 - Publicado em 23 fev 2019, 10h00

Era previsível que o colapso político, econômico, moral e humanitário do governo bolivariano da Venezuela chegasse um dia ao limite. Chegou. A tragédia, que hoje comove (e preocupa) o mundo, tem as digitais do Brasil – mais especificamente das forças de esquerda que o governaram por quase uma década e meia.

Nélson Rodrigues dizia que subdesenvolvimento não se improvisa: é uma longa e penosa elaboração. Essa admirável dedicação ao erro e ao atraso deixou sequelas em diversos países do continente que investiram no pesadelo bolivariano da Pátria Grande.

Inclusive o Brasil, que investiu bilhões nesse projeto, empreendido à revelia e às custas de seu povo.

A eleição de Bolsonaro é fruto do antagonismo da sociedade às escolhas políticas da esquerda, que impuseram ao país numerosos revezes, inclusive – e sobretudo – no campo moral.

O desmonte da política externa está em curso e enfrenta a ira das forças antagônicas internas. Isso explica a espantosa e inoportuna nota, subscrita ontem por PT, PSB, MST, CUT e aliados, em defesa não do povo venezuelano, mas do governo que o tiraniza.

Enquanto o governo brasileiro evita a retórica do confronto, focando sua ação no campo estritamente humanitário, a esquerda insiste em atribuir a crise venezuelana à ação imperialista norte-americana, da qual o Brasil seria meramente caudatário.

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Está prevista para hoje a entrega do auxílio humanitário à população venezuelana, procedente de diversos países, entre os quais o Brasil, a ser distribuído a partir dos territórios brasileiro e colombiano. O governo de Maduro, não reconhecido por nada menos que 50 países, entre os quais o Brasil, promete hostilidades.

Em ocasiões como esta, em que a segurança nacional, ainda que em tese, corre riscos, o que se espera é uma união interna, acima das divergências do varejo político-partidário conjuntural, que voltarão à cena quando o quadro se normalizar. Daí a impropriedade da nota encimada pelo PT, que afronta a própria soberania nacional.

É improvável que as hostilidades cheguem às vias de fato, mas nunca se sabe. Informou-se ontem – e o porta-voz da presidência, general Rego Barros, disse desconhecer (ou seja, não negou) – que o governo venezuelano posicionou mísseis em direção ao Brasil.

Houve confronto na fronteira do lado venezuelano, com duas mortes e diversos feridos a bala. Os militares venezuelanos não permitiram que seus patrícios, famintos e desesperados, cruzassem a linha de fronteira para ter acesso a comida e a medicamentos. É a essa estrutura de poder que a esquerda presta solidariedade.

O imbróglio venezuelano gera tensão geopolítica que envolve as maiores potências do planeta. Rússia e China, que apoiam Maduro, não impediriam uma ação militar norte-americana. Apenas se valeriam dela para se sentir legitimadas a agir do mesmo modo em suas áreas de domínio e influência (Ucrânia, Taiwan etc.).

O imponderável está no comando e a vez é da diplomacia.

Ruy Fabiano é jornalista

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