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O jazz colorido da pianista japonesa Hiromi

MÚSICA

O novo álbum da pianista Hiromi Uehara Spectrum (Telarc) celebra sua maturidade pessoal e musical. Hiromi criou uma tradição para si, gravando um disco de piano solo a cada final de década de sua idade. Gravou o primeiro aos 29, este aos 39 e pretende gravar o próximo quando cumprir os 49. “O som de um pianista se modifica com a idade e com a experiência de vida”, explica Hiromi. “Eu criei esses marcos para poder ver, desde fora, o quanto mudei e cresci, nesses anos”.

Nascida em Hamamatsu, no Japão, Hiromi começou a estudar piano clássico aos seis anos de idade. Sua primeira professora, Noriko Hikida, foi, também, quem a apresentou ao jazz. Com um método próprio e original, Hikida orientava sua aluna associando os sons a cores, estabelecendo uma relação de mais fácil compreensão para a criança.

“Quando ela queria que eu tocasse com um certo tipo de dinâmica, ela não explicava isso em termos técnicos”, conta a pianista. “Se era uma peça cheia de paixão, ela dizia: ‘Toque em vermelho’. Já se era alguma coisa suave, ela dizia: ‘Toque em azul’. Dessa maneira, eu podia, realmente, tocar com o meu coração, não só com o ouvido”, conta Hiromi.

Os ensinamentos da primeira professora acompanham a pianista por toda sua vida. Em 1999, com 20 anos, Hiromi mudou-se para os Estados Unidos, para estudar no Berklee College of Music, em Boston. A universidade lhe proporcionou ampliar ainda mais seu horizonte musical. Lá ela teve contato estreito e simultâneo com pessoas que se dedicavam ao jazz, ao clássico e até ao rock. E Hiromi levou todas essas influências para sua música, que vai do jazz fusion ao rock progressivo, passando pelo clássico.

Desde seu primeiro álbum Another Mind (2003), Hiromi vem conquistando um público cada vez mais amplo, com sua abordagem original do jazz. True and Lies é dos temas de seu disco de estreia. Nesse disco ela iniciou a colaboração com o baixista Anthony Jackson, com quem mais tarde formou The Trio Project, junto com o baterista Simon Phillips. Eles estão no álbum Alive, de 2014.

Do novo álbum solo de Hiromi, destacamos os temas Once in a Blue Moon e sua homenagem a Gershwin com a medley Rhapsody in Various Shades of Blue. Outra peça muito especial do disco é Mr.C.C. que, em clima de trilha sonora de cinema mudo, ela dedica a Charlie Chaplin. Tudo muito colorido, como a própria capa do álbum.

“Para um pianista, fazer um álbum solo é como você estar nu diante da plateia”, reflexiona Hiromi. “Não há onde se esconder, não tem outro instrumento para lhe dar apoio, é realmente muito desafiador. Mas ao mesmo tempo” – diz ela – “essa é a melhor maneira de você aproveitar totalmente todas as possibilidades de seu instrumento”.

No vídeo a seguir podemos desfrutar de Hiromi Uehara – ou simplesmente Hiromi, como ela se apresenta – enfrentando, sozinha, esse desafio, diante de seu piano, tocando a faixa título do novo álbum, Spectrum.

 

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  1. Luiz Chevelle

    Impressionante. By herself, sem um baterista e um sopro pra ajudar.

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