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O jazz africano de Manu Dibango, que o Covid levou (por Flávio de Mattos)

Música

Por Flavio de Mattos Atualizado em 18 nov 2020, 19h59 - Publicado em 4 set 2020, 13h00

O músico camaronês Manu Dibango, quando pequeno, sonhava em cruzar a montanha que dominava a paisagem de sua cidade, para saber o que haveria do outro lado. Pois, do lado de lá havia o Mundo, que ele conquistou com o som de seu saxofone, misturando jazz e funk aos sons africanos tradicionais. O Covid-19 interrompeu sua carreira, ainda plena de atividades, aos 86 anos, logo no início da pandemia.

Emmanuel N’Djoké Dibango nasceu em Duala, na República de Camarões, então colônia francesa na África. Protestantes devotos, os pais sempre levavam o menino Manu aos cultos dominicais da igreja Batista. “Eu adorava, mas por causa da música” – lembrava ele. “Para mim, o melhor do culto era quando o mestre abria o órgão, colocava os óculos, começava a tocar e todos cantavam”.

Foi na igreja que Manu Dibango recebeu as primeira lições de música, estudando Bach e o gospel dos cultos. A música secular, para ele, era incidental, escutava no rádio, com os amigos do colégio. Bom aluno, em 1949, seus pais o enviaram para estudar na França. Como incentivo ao adolescente, eles garantiram a Dibango um curso paralelo de formação musical.

Com 15 anos, ele foi parar na pequena Saint-Calais, a 200 quilômetros de Paris, onde cursou o segundo grau. Continuou seus estudos em Paris, onde descobriu sua paixão pelo jazz. Enquanto estudava piano e teoria musical no conservatório, Manu Dibango passou a tocar o saxofone nos clubes da cidade. Quando seu pai descobriu, cortou a mesada e a música se tornou o seu ganha-pão.

No final dos anos 50, Dibango mudou-se para a Bélgica, onde foi tocar no Bantou, um clube de música africana. Foi na Bélgica que Manu Dibango se aprofundou nos ritmos de sua terra. No Bantou se apresentavam músicos do antigo Congo Belga e de outros países como Gana, Mali, Senegal e Nigéria. Segundo Dibango, ali se formava um verdadeiro pan-africanismo musical.

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Manu Dibango voltou para a França em 1960, liderando sua própria banda e iniciando suas experiências com o afrojazz. Para ele, música e dança deviam estar ligadas, seu grande prazer era fazer música para as pessoas dançarem. Sua composição de maior sucesso foi Soul Mokassa, que movimentou as discotecas nos anos 70.

Além de saxofonista, Manu Dibango era um ótimo pianista, vibrafonista e grande arranjador. Escreveu trilhas sonoras para o cinema e composições dos mais variados gêneros, jazz, reggae, canção francesa, gospel, funk até rumba congolesa. Entre seus álbuns mais destacados estão African Voodoo (1972); Electric Africa (1985); e Wakafrica (1994). Um de seus últimos trabalhos foi o excelente álbum M & M (2017), com o saxofonista moçambicano Moreira Chonguica.

Manu Dibango morreu em Paris, no dia 24 de março de 2020. No vídeo a seguir, uma de suas últimas apresentações, em agosto de 2019, no Festival de Jazz de Marciac, na França. Descanse em Paz.

 

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