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O centro político

O que é mesmo o centro político? Um refúgio imobilista ou o oportunismo de subir no muro como injuriam seus detratores?

Por Gustavo Krause 14 jan 2018, 14h00

O cenário eleitoral brasileiro, apesar das incertezas, revela uma certeza: a antipolítica. Por paradoxal que pareça, negar a política é um tipo de política. Tem causas, consequências e não é um fenômeno restrito ao Brasil. A crise de representatividade da democracia é um fenômeno global.

Resulta, tanto da lentidão em responder às demandas sociais na era da aceleração, quanto dos graves desvios éticos que ferem a retidão dos valores republicanos. Vai além da desilusão, do desencanto, chegando ao extremo da demonização de “tudo que está aí”, segundo a voz das ruas e dos resultados eleitorais que confirmam a negação do estabilishment.

As consequências estão à vista: a estridência dos extremos do espectro ideológico; a sedução populista e a séria dificuldade de afirmação da racionalidade do centro político diante da paixão corrosiva do discurso salvador.

Nestas circunstâncias, o centro político, intimidado, encolhe ou não encontra o prumo para viabilizar candidaturas que possam enfrentar os desafios da encruzilhada histórica em que se encontra o Brasil.

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Mas, o que é mesmo o centro político? Um refúgio imobilista ou o oportunismo de subir no muro como injuriam seus detratores? Um espaço fragmentado, incapaz de mobilizar vontades e aspirações na direção do rumo certo? Uma força anestesiada pela precariedade de pesquisas precoces diante de um quadro indefinido?

Ora, as forças do centro político sempre foram pilares da estabilidade e da solidez do jogo democrático. É a voz da razão, temperada pela moderação e nutrida pela virtude da prudência.

De fato, com o país partido ao meio, polarizado e sacolejado permanentemente pelo alarido superficial e despolitizante das redes sociais, a afirmação do centro político e de candidaturas que o represente, não é uma construção fácil, mas nunca foi tão decisiva para liderar o processo de reformas estruturais.

No caso brasileiro, a virtude que está no meio é a verdade propositiva, programática que restaure o debate público e não recite os versos da promessa enganosa; que diga o que precisa ser feito e, sobretudo, indique, com clareza, os meios a serem utilizados. Na inversão da frase falsamente atribuída a Maquiavel, o Padre Vieira ensinava: “Não há fins sem meios”.

O centro político para o qual convergem, valores e ideias do centro-esquerda e do centro-direita, terá candidatos. A meu ver, o mais consistente e viável é Alckmin. Não é uma “metamorfose ambulante”, nem precisa de “carta aos brasileiros” para prevenir riscos.

Gustavo Krause é ex-ministro da Fazenda do governo Itamar Franco

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