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O Adeus do Jazz ao pianista Chick Corea (por Flavio de Mattos)

Música

Por Flavio de Mattos Atualizado em 19 fev 2021, 01h19 - Publicado em 19 fev 2021, 13h00

Chick Corea, que morreu no dia nove de fevereiro último, aos 79 anos, escreveu seu nome na história do jazz como um prodigioso improvisador, um compositor versátil e um pioneiro do jazz fusion. É um dos mais importantes pianistas do jazz pós bebop, ao lado de McCoy Tyner, Keith Jarrett, Bill Evans e Herbie Hancock. A medida de seu prestígio pode ser dada pelos 23 prêmios Grammy que ganhou, em mais de 60 indicações, ao longo de sua carreira.

Filho do trompetista de uma banda de dixieland jazz, Chick Corea começou a estudar o piano aos quatro anos de idade. Cresceu ao som do bebop, ouvindo com seu pai os discos de Dizzy Gillespie, Charlie Parker, Bud Powell e Lester Young. Além do piano, recebeu ainda lições de bateria, o que influenciou o futuro estilo percussivo que desenvolveu em seu toque.

Chick Corea iniciou sua carreira tocando com os grupos de latin jazz de Mongo Santamaria e de Willie Bobo. Essa vertente latina marcou seu jazz e o acompanhou por toda a carreira. Nos anos 60, Corea começou a ser requisitado por músicos como o saxofonista Sonny Stitt, o flautista Herbie Mann, e o baterista Art Blakey, até fixar-se no grupo do saxofonista Stan Getz.

O pianista estreou como líder com o álbum Tones, gravado em 1966. Contudo, foi seu segundo trabalho, Now He Sings, Now He Sobs, de 1968, que chamou mais atenção. Esse disco tornou-se um clássico do jazz, com Corea elevando a um nível superior o formato do trio de piano, baixo e bateria. Essa formação tornou-se uma constante na trajetória de Chick Corea.

Ainda em 1968, Corea ingressou na nova banda que o trompetista Miles Davis formou, inspirado pelo som de Jimi Hendrix. Miles promovia a fusão de seu jazz com rock lisérgico, para se aproximar dos jovens da geração Woodstock. Ele convenceu seus músicos a trocarem os instrumentos acústicos por elétricos. O resultado está nos álbuns In a Silente Way (1968) e, especialmente, em Bitches Brew (1969), em que Chick Corea participa tocando os teclados Fender-Rhodes.

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Ao deixar o grupo de Miles Davis, Chick Corea montou sua própria banda fusion Return to Forever. Na primeira formação, o grupo contava com o casal brasileiro Airto Moreira, na percussão; e Flora Purim, nos vocais. No baixo estava o adolescente prodígio Stanley Clarke. No som do Return, além do rock, o músico experimentava ainda a mescla de música latina, samba e groovies dançantes.

Chick Corea no entanto nunca abriu mão de suas influências primárias, fundadas no jazz mainstream e na música clássica. O pianista tornou-se um dos artistas mais completos de sua geração, capaz de transitar igualmente por todos os gêneros, com brilhantismo e entusiasmo. Ele deixa uma discografia com quase 100 álbuns como líder e incontáveis participações em trabalhos de outros músicos.

Toda a versatilidade de sua carreira pode ser resumida em seu último álbum Plays (Concord), lançado em setembro de 2020. O álbum duplo, foi gravado ao vivo em 2018, durante os concertos de piano solo que apresentou em Paris, Berlin e a pequena Clearwater, na Flórida. Nele, Chick Corea navega entre clássicos de Mozart, Chopin, Gershwin, Monk e Jobim a Steve Wonder. Ele explica as relações que via entre Desafinado de Tom Jobim e o Prelúdio Op. 28 #4, de Chopin. Fala ainda da importância de Blue Monk para jazz.

No vídeo a seguir temos o Chick Corea Trio com a peça Lifiline. Corea ao piano, com John Patitucci, no baixo e Dave Weckl, na bateria. Apresentação e do Festival de Jazz de Malta, de Julho de 2018.

Flávio de Mattos é jornalista e escreve aqui sobre jazz a cada 15 dias. Dirigiu a Rádio Senado. Produz o programa Improviso – O Jazz do Brasil, que pode ser acessado no endereço: senado.leg.br/radio 

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