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Marun, um ministro pesado

Cármen Lúcia, o sujeito oculto da fúria de Temer

Por Ricardo Noblat Atualizado em 2 fev 2018, 12h50 - Publicado em 2 fev 2018, 12h47

Quando nada por elegância e prudência, era recomendável que se deixasse passar alguns dias da fala da ministra Cármen Lúcia na reabertura dos trabalhos no Supremo Tribunal Federal para que os rebelados contra a Justiça voltassem a criticá-la, desacatá-la e a agredirem.

Mas, não. O primeiro a fazê-lo foi logo um auxiliar direto do presidente Michel Temer – o ministro da Secretaria de Governo Carlos Marun. A pretexto de defender Temer, Marun disse que ele está sendo “retaliado” por parte do Judiciário por conta da reforma da Previdência.

Quer dizer: como parte dos juízes ou a maioria deles se opõe à reforma, Temer estaria sendo alvo de decisões judiciais que o prejudicam, e ao governo. Marun citou especificamente o caso da nomeação da deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ) para o Ministério do Trabalho.

Carmen Lucia
Carmen Lucia participa da sessão solene de abertura do Ano Judiciário no Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília (DF) – 01/02/2018 Ueslei Marcelino/Reuters

Foi a ministra Cármen Lúcia, depois de quatro outras decisões de primeira e segunda instâncias da Justiça, que barrou a posse de Cristiane. A ministra foi assim o sujeito oculto mais notável do comentário de Marun. É difícil pensar que o ministro a elegesse para tal sem licença de Temer.

Mais: sem a concordância de Temer. Porque Temer pensa de fato o que o ministro expressou. E a amigos e auxiliares tem dito a mesma coisa, e continuará a dizer. Cármen Lúcia suspendeu parte do indulto de Natal concedido por Temer a presos, e desde então ele está furioso com ela.

Até aqui, Marun jamais foi tratado como um homem público de peso, porque jamais foi. Agora, faz por merecer ser tratado como um homem público pesado. Com o apoio de Temer, é isso o que ele é nesses tempos bicudos que vivemos.

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