Clique e Assine a partir de R$ 19,90/mês
Noblat Por Coluna O primeiro blog brasileiro com notícias e comentários diários sobre o que acontece na política. No ar desde 2004. Por Ricardo Noblat. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Lugar de ladrão é na cadeia

Triste fim

Por Ricardo Noblat 8 abr 2018, 08h00

“É simples, doutor”, me ensinou o motorista do UBER, eleitor de Lula e, mais que isso, seu admirador. “Lula foi um bom presidente. Eu mesmo devo a ele as condições que me permitiram comprar este carro”, aduziu.

Para em seguida arrematar como se desferisse uma série de socos potentes, rápidos e certeiros: “Mas ele roubou, não foi? Quem rouba é ladrão. E lugar de ladrão é na cadeia”. Calou-se pelo resto da viagem.

Sim, é simples. Muito simples. O resto é invenção de gente palavrosa que professa ideologia e gosta de ter razão. Lula não foi o melhor presidente que este país já teve. Mas não se saiu mal.

Foi um prestidigitador. Mas foi também o governante que incluiu os mais pobres na agenda dos problemas nacionais. Fez menos por eles do que pareceu. Nem por isso os próximos presidentes poderão ignorá-los.

Corrompeu-se para ficar rico. Corrompeu para governar. Imaginou-se imune a qualquer suspeita. Acreditou no que diziam dele. Apostou na sua impressionante capacidade de sobreviver. Ao acordar, já era tarde.

Difícil que a essa altura da vida, mesmo recolhido a uma cela de 15 metros quadrados onde nada terá a fazer a não ser pensar, venha a revelar-se capaz de um dia sair de lá muito diferente do que entrou.

Em defesa de sua própria sanidade mental, o provável é que saia com a mesma crença na persona que criou para si. Não terá outra razão para viver que não seja essa. Triste fim.

Continua após a publicidade
Publicidade