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É uma campanha eleitoral inédita, num país onde nunca antes concorreram juntos tantos candidatos enrolados na Justiça

Por Helena Chagas 22 mar 2018, 14h00

Podem ir estourando a pipoca, gelando a cerveja e afofando a poltrona mais confortável da sala, porque o espetáculo vai começar. Não se esqueçam de tirar as crianças da sala, pois o show pode ficar impróprio para elas. É uma campanha eleitoral inédita, num país onde nunca antes concorreram juntos tantos candidatos enrolados na Justiça, acusados, investigados e até condenados, que vão gastar mais tempo se defendendo do que apresentando suas propostas de governo.

Na disputa pela presidência, vamos ter, de um lado, o candidato líder nas pesquisas em estado de batalha judicial permanente. Lula luta para não ser preso. Mesmo preso, para não ser retirado da campanha nem da cédula. É grande a possibilidade de que ele venha a ter seu registro negado pelo TSE no final de agosto e acabe substituído quase às vésperas do pleito. Até lá, vai se defender fazendo campanha.

E não é que a moda pegou? Guardadas as diferenças entre quem tem um apoio sólido de quase 30% do eleitorado e quem tem em torno de 1%, o presidente Michel Temer parece estar usando a mesma tática. Esta semana, verbalizou pela primeira vez que “não é improvável” que venha a disputar a reeleição.

Alguém já parou para pensar o que será a campanha de Temer? Diferentemente de Lula, ele não tem base popular. Não tem lugar – ou palanque – para ir onde não seja vaiado. O presidente candidato à reeleição irá a debates? Esse, sim, seria um espetáculo e tanto. É improvável.

A única coisa que o candidato Temer quer é o tempo na TV do MDB para se defender, numa candidatura sui generis, que não é para ganhar. Mas será que os demais emedebistas, que precisam se eleger deputados, senadores, governadores, vão topar fazer figuração nesse filme de terror? Eles precisam de votos e sabem que não os ganharão em meio a explicações sobre o Porto de Santos e os pagamentos de empreiteiras ao partido.

Explicações, aliás, que vão ter que estar no script de outros candidatos presidenciais. Geraldo Alckmin, por exemplo, será obrigado a dizer dúzias de vezes que não tem nada a ver com Paulo Preto, por exemplo. Rodrigo Maia e Ciro Gomes vão precisar falar de acusações de caixa 2, e por aí vai.

Nem emprego, nem segurança. O tema dessa campanha será a corrupção – dos próprios candidatos. Esse debate deve ocupar o lugar de propostas construtivas e inovadoras sobre geração de empregos, reformas, saúde, educação, segurança, tudo o que deveria ser apresentado mas vai passar longe da campanha de 2018.

Por mais salgadinha que esteja a pipoca, e geladinha a cerveja, vai ser difícil aguentar.

Helena Chagas é jornalista desde 1983. Exerceu funções de repórter, colunista e direção em O Globo, Estado de S.Paulo, SBT e TV Brasil. Foi ministra chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (2011-2014). Hoje é consultora de comunicação 

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