Na melhor das hipóteses, o presidente Jair Bolsonaro só receberá alta daqui a uma semana. A prorrogação da estadia no hospital Albert Einstein, em São Paulo, deve-se ao agravamento do seu quadro clínico, segundo boletim médico divulgado ontem.
Internado ali desde o último dia 27, ele fez questão de reassumir a presidência da República no dia 30 – e, desde então, finge que governa. Está proibido de receber visitas, de despachar com assessores e ministros, e até mesmo de falar.
As duas joias da coroa do seu governo foram lapidadas e estão prontas para que ele as examine – e se concordar, que as despache para o Congresso: a proposta de reforma da Previdência e o pacote de leis de combate à violência. Mas, por ora, ele não pode fazê-lo.
Das mensagens postadas por Bolsonaro no Twitter se encarrega o filho Carlos, vereador no Rio, sem tempo sequer para escrever sobre o temporal que se abateu sobre a cidade. Ele cuidou das redes sociais do pai durante a campanha. Carlos “psicografa” Bolsonaro.
A pressa do capitão em reassumir o cargo decorreu do seu incômodo com o protagonismo conferido pela mídia convencional ao general Hamilton Mourão. O estilo do vice é o oposto do estilo do titular. Mourão diz e faz coisas que o capitão jamais faria.
Imagine Bolsonaro manifestando pena por Lula. Seria impensável. Pois Mourão manifestou sem, no entanto, deixar de criticá-lo por não ter sabido separar o privado do público. Imagine Bolsonaro recebendo em audiência o presidente da CUT. Mourão recebeu.
Na ausência de Bolsonaro, em casos raros que não possam esperar pela volta dele, Mourão continua sendo ouvido por ministros. E criticado pelos filhos e aliados do presidente enfermo. Mas o trem tem de seguir em frente e, se possível, não descarrilhar.






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