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As Afinidades do Choro e do Jazz com Daniela Spielmann

MÚSICA

Por Flávio de Mattos Atualizado em 30 jul 2020, 19h57 - Publicado em 22 fev 2019, 13h01

Daniela Spielmann é uma das raras instrumentistas a se dedicar ao saxofone no Brasil. Compositora e arranjadora, ela é uma entusiasta do choro e do jazz, capaz de mesclar os dois gêneros com grande maestria. Seu primeiro disco solo, Brazilian Breath, lançado em 2002, foi indicado para o Grammy Latino daquele ano. No final de 2018 ela lançou seu novo álbum Afinidades, em que cada canção está dedicada a pessoas de seu afeto. Sério candidato a novas premiações.

Desde pequena a música faz parte da vida de Daniela Spielmann. Começou estudando piano, depois violão e guitarra, até que aos dezessete anos se apaixonou pelo saxofone e pelo choro. E aí incorporou em seus estudos o clarinete e a flauta, os instrumentos de sopro mais utilizados nesse gênero musical brasileiro.

Daniela Spielmann não pensava em fazer carreira em música. Tocava com grupos amadores, enquanto cursava a faculdade de História. Mas quando viu, estava tão envolvida com a música que transferiu-se para a Universidade do Rio de Janeiro e foi cursar Educação Musical. Ela formou-se em 1996 e, partir daí, passou também a lecionar e a dedicar-se à investigação acadêmica, em paralelo a sua carreira musical.

Em seus estudos, Spielmann embrenhou-se nas raízes da música popular brasileira. O samba-choro e o samba de gafieira de Paulo Moura foi o tema tese de mestrado de sua, que ela defendeu em 2008. As gafieiras cariocas foram também seu objeto de estudos para a tese de doutorado, defendida em 2017.

Daniela Spielmann iniciou sua carreira profissional no grupo Rabo de Lagartixa, que gravou em 1998 o álbum Quebra Queixo, com um repertório de choro e samba. O sax soprano de Spielmann já se destaca em peças como Diabinho Maluco, de Jacob do Bandolim. O choro é a praia em que a saxofonista se manifesta mais à vontade, como na peça Seu Tonico na Ladeira, que abre o álbum Brazilian Breath, de 2002.

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No álbum Afinidades, Daniela Spielmann viaja pelos ritmos tradicionais da música brasileira, com a liberdade dos improvisos do jazz. Em cada tema ela abre espaço para os solos de seus músicos, que são também os homenageados em algumas composições do disco. Xan Xan está dedicada ao baterista Xande Figueiredo; Lobo Guará, para o violonista Domingos Teixeira; e Pro Digão dedicada ao baixista Rodrigo Villa.

“As composições são inspiradas por afetos e amizades, em que as afinidades estão presentes. Os músicos do álbum não são apenas pessoas contratadas para um trabalho, são as pessoas que fazem parte da minha vida, que construíram comigo os pedaços da obra. Isso conta muito para a expressão”, relata ela.

No vídeo a seguir temos Daniela Spielmann com sua banda e um monte de convidados especiais no show de lançamento do álbum Afinidades. Aqui ela apresenta o samba jazz de gafieira de Paulo Moura Fibra, com direito a exibição de um casal de dançarinos de gafieira no final.

https://youtu.be/tI0M995S-Qo

Flávio de Mattos é jornalista e escreve aqui sobre jazz a cada 15 dias. Dirigiu a Rádio Senado. Produz o programa Improviso – O Jazz do Brasil, que pode ser acessado no endereço: senado.leg.br/radio 

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