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A Verdade acima de tudo

Se depender de Flávio Bolsonaro, as coisas continuarão debaixo de uma espessa sombra.

Por Maria Helena RR de Sousa Atualizado em 30 jul 2020, 20h05 - Publicado em 15 dez 2018, 09h00

Acabo de ler o excelente artigo de Juan Arias, publicado ontem no El Pais: “O Bolsonaro da Bíblia frente ao dilema de Abraão de sacrificar o seu filho”.

Arias comenta com os leitores o tenebroso episódio bíblico no qual Deus, querendo por à prova a Fé de Abraão, pede-lhe que sacrifique seu filho Isaac. Filho amado e inocente. Pois Abraão decidiu ser fiel a Deus e já erguia a mão para executar o menino quando um anjo segurou seu braço e o impediu de matar seu filho.

Arias faz um paralelo entre a prova de fogo à qual Abraão se submeteria e a de Jair Bolsonaro. Vamos lá, os tempos bíblicos eram mais contundentes, mais intensos que os nossos tempos, mas o paralelo é perfeito.

O filho de Bolsonaro, Flávio, por conta dos desmandos de um seu assessor, o desaparecido motorista Queiroz, atravessa um período difícil, ao ter que explicar o escândalo revelado pelo COAF:as transações atípicas do motorista que trabalhou dez anos para Flávio e movimentou em sua conta bancária mais de um milhão e duzentos mil reais em um ano, quantia muitas vezes superior ao seu (excelente, é bom que se diga) salário mensal.

Se depender de Flávio Bolsonaro, as coisas continuarão debaixo de uma espessa sombra. Ontem ele declarou que não tem nada a vez com isso, não praticou crime algum e que o “Queiroz não quer falar com a Imprensa, só com o Ministério Público e que ele não pode obrigar o Queiroz a falar com a Imprensa”.

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Sinto muito, senador-eleito Flávio Bolsonaro, mas o que está em jogo aqui é a reputação de seu pai. Queiroz não pode ter vontades, tem que falar com a Imprensa e com o MP, Queiroz simplesmente tem que esclarecer tudo que o COAF constatou. Ele tem que sair da sombra mais depressa do que imediatamente!

Jair Bolsonaro tem a Bíblia como seu livro de cabeceira. E a Verdade como mantra. Como disse Juan Arias, “o presidente da Bíblia sabe que seu compromisso contra a corrupção foi fundamental para sua eleição. Quebrá-lo, antes ainda de tomar posse do cargo, equivaleria a uma traição sua a milhões de seguidores”.

Assim, não há outra hipótese: o presidente-eleito merece do filho que ele obrigue o Queiroz a depor e isso deve ser feito o mais breve possível.

 

Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa é professora e tradutora, escreve semanalmente para o Blog do Noblat desde agosto de 2005.  

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