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A caça ao quinto ministro da Educação em 18 meses de governo

Olavo de Carvalho e os três filhos zero querem ganhar mais essa

Por Ricardo Noblat Atualizado em 6 jul 2020, 08h51 - Publicado em 6 jul 2020, 08h00

A levar-se em conta que o professor Carlos Decotelli foi nomeado e forçado a demitir-se antes de tomar posse, não será exagero dizer que o empresário Renato Feder, convidado por Jair Bolsonaro na última quinta-feira, foi o quarto ministro da Educação em um ano e meio de governo. Um recorde, salvo engano.

Bolsonaro disse a Feder que ele fora escolhido para suceder Decotelli, que por sua vez sucedeu a Abraham Weintraub, que sucedeu a Ricardo Vélez. Aproveitou o telefonema e combinou encontrá-lo em Brasília no início desta semana. Feder, que já fora cogitado para a vaga de Weintraub, comemorou pela segunda vez.

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O que prova que ele punha mais fé em Bolsonaro do que Bolsonaro merecia. Para quem diz e repete que no governo é ele que manda e que a Constituição é ele, a nomeação abortada de Feder é mais uma prova em contrário. No mais das vezes, Bolsonaro não sabe o que fazer. Com frequência, é frouxo. Avança e recua.

Afrouxou no caso de Feder porque seus três filhos zero, e mais alguns líderes evangélicos do tipo Sila Malafaia, e mais o autoproclamado filósofo Olavo de Carvalho e sua turma se opuseram à indicação do atual Secretário de Educação do Paraná. Valeram-se das redes sociais para degradá-lo.

Aos olhos dessa gente, Feder não merecia confiança por ser ligado ao governador João Doria (PSDB) e a paulistas muito ricos. De resto, seus pontos de vista sobre o consumo de maconha e o sexo em geral não estavam em linha com o que Bolsonaro pensa. Não bastasse, o Centrão deitaria e rolaria com Feder ministro.

São argumentos de ocasião, alguns dos quais não correspondem à verdade. O que os órfãos de Weintraub querem mesmo é emplacar seu substituto à sua imagem e semelhança. O Ministério da Educação sempre foi coisa deles desde o início do governo, assim como o das Relações Exteriores, assim como o do Meio Ambiente.

Bolsonaro promete que não passará desta semana a escolha do seu quinto ministro da Educação. E enquanto ele se distrai com isso, o país ultrapassará hoje a marca dos 65 mil mortos pelo coronavírus e de 1. 605 mil contaminados.

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