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‘Quatro já foram, só falta uma’: retrato do terremoto populista

Foto de abril deste ano dá uma ideia do estrago que a revolta contra políticos tradicionais está fazendo entre poderosos do mundo

Vamos pela ordem da esquerda à direita na foto acima. Coincidentemente, também é a ordem cronológica. David Cameron foi o primeiro a rodar, tragado pelo resultado do referendo que ele próprio havia convocado, imaginando sair fortalecido com uma votação sólida a favor da permanência do Reino Unido na União Europeia.

Todo mundo já sabe que deu o resultado oposto e Cameron renunciou em julho. Só para lembrar, ele queria o referendo para acalmar a ala eurocética de seu partido, o Conservador.

É importante registrar isso para deixar claro como a revolta das maiorias silenciosas contra políticos que representam o establishment ataca à direita e à esquerda.

O Brexit até agora teve resultados muito menos negativos do que os pregadores catastrofistas. Mas o governo da substituta da Cameron, Theresa May, parece meio perdido sobre a forma e o conteúdo do processo de divórcio. Também precisou enfrentar contestação sobre a constitucionalidade da ruptura na Suprema Corte, um fator adicional de instabilidade.

Próximo da fila: Barack Obama.  O mais esquerdista de todo os presidentes americanos, evidentemente, não poderia ter um terceiro mandato. Mas não conseguir fazer a sucessora equivaleu a uma rejeição massacrante.

Americanos em choque ou em êxtase ainda estão assimilando os múltiplos significados da vitória de Donald Trump em 8 de novembro. A única coisa em que todos concordam é que havia um bocado de eleitores insatisfeitos com “tudo o que está aí”.

No centro da foto está a sobrevivente e provável exceção ao furacão populista, Angela Merkel. O prestígio da primeira-ministra foi abalado pela política de braços abertos às recentes ondas migratórias, mas a maioria dos alemães ainda é a favor de dar um excepcional quarto mandato a ela, em outubro de 2017.

E é impossível deixar de lembrar que dez meses nos atuais tempos de reviravoltas são quase uma eternidade. Os avanços recentes em eleições regionais do partido que é contra a imigração de muçulmanos e contra a participação na União Europeia mostram que a Alemanha não é imune ao surto global de insatisfação.

Aliás, global e anti-globalização. Um dos aspectos mais curiosos do tsunami populista é a incorporação de uma bandeira quase esquecida da esquerda, contra a globalização. O que parecia ser um movimento contra forças da natureza como as marés ou as correntes de vento está ganhando um fôlego insuspeito.

É essa turma que comemora o “fim” dos outros dois nomes da lista: os “globalistas” François Hollande e Matteo Renzi.

Curvando-se, excepcionalmente, aos fatos, Hollande anunciou na quinta-feira passada que não vai disputar a candidatura presidencial pelo Partido Socialista, livrando-se de uma derrota constrangedora.

O anúncio teve impacto próximo de zero: na França, só se discute o segundo turno da eleição presidencial, presumidamente entre a direita, representada por François Fillon,  e a extrema direita de Marine Le Pen. A coisa anda tão feia que até a escolha de Fillon, um representante rematado do establishment, foi vista como uma espécie de revolta das bases que votaram nas primárias do partido Os Republicanos.

O mesmo sentimento de rebelião inspirou a queda do último da lista, Matteo Renzi. O referendo sobre um assunto aparentemente inócuo, uma reforma constitucional para modernizar o funcionamento das instituições políticas italianas, virou a desgraça do primeiro-ministro. Depois de uma derrota maior ainda do que se prognosticava – um “não” da ordem de 60% -, ele teve que cumprir a promessa de renunciar.

Os mais pessimistas encaram o resultado do plebiscito como um sinal de que a Itália eventualmente vai acelerar o desmoronamento da União Europeia, iniciado com o Brexit. Os mais otimistas… Onde é mesmo que estão eles?

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  1. housekeeping

    Bolsonaro na cabeça

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  2. Antonio Augusto Simoes

    Mi mi mi mi mi mi mi mi mi mi mi mi mi mi mi, chora comunistada e imprensa infestada de esquerdopatas. A Nova Ordem mundial gestada nos antros comunistas, tentaram instalar o Globalismo, mas o povo não aceitou nem aceitará. Essa agenda, que inclusive domina o Brasil de cabo a rabo é exógena ao país. Em um país com mais de cinquenta por cento da população analfabeta funcional foi uma grande barbada implantar o gayzismo, homofobismo, racismo, mulherismo, abortismo, e outros ismos. Mas mesmo aqui essa agenda será destruída. Os valores fundamentais do povo brasileiro prevalecerão: família, valores cristãos, nacionalismo, amor à pátria, amor à vida… A comunistada não conseguirá destruir a célula mater da sociedade que é a família. Não conseguirão o lúmpen social para sua revolução comunista que, aliás, foi um desastre por onde passou, só trazendo morte, fome, miséria, atraso e assassinato em massa. Chorem comunistas do Capeta.

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  3. Grande parte dos europeus está de saco cheio da União Europeia que intervém nos mínimos detalhes das suas vidas e que não é nem um pouco democrâtica. Os políticos ignoram os seus povos e o povo já não aceita mais.

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  4. Tatiana Costantinni Cohen

    President Obama is a leftie???? Lololol
    …what a tool,uninformed, faux news watcher you are. Lololol…. Must be the reason why billionaires became even richer during his two terms…..back to middle school, you loonie.

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  5. Galera!!!
    Vamos fazer campanha em 2018 , pro MITO.
    JAIR BOLSONARO NA CABEÇA

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  6. Robson La Luna Di Cola

    Estamos vendo o princípio do fim da globalização E do globalismo.

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  7. Pedro Luis Catraca

    Vilma, quer dizer que agora, os “inimigos” do politicamente correto, os antes ultra-mega-hiper conservadores de extremíssima direita pra caramba agora são chamados de “populistas”? Sei… No meu tempo, populistas eram os esquerdistas, gente como Getúlio, Perón, Hitler, Mussolini, Stalin, Lula, Chávez, Morales, et caterva. Foi só a direita começar a ameaçar e vocês já estão todos ouriçadinhos, apreensivos, roendo as unhas, ou exclamando “PQP”, ao vivo, como aquela repórter isentona da Globo News. Go catch yourself.

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  8. Tchau, Esquerda… não será sua derrrota definitiva, mas será um mudança de rumo necessária!! O mundo precisa (e vai!) se ENDIREITAR de novo!!!

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