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Príncipe perdido: Harry comprova que não pode ganhar tudo

Ele tentou impor as próprias regras e mais do que insinuou uma chantagem contra a própria família; deu absolutamente errado

Por Vilma Gryzinski - Atualizado em 18 Jan 2020, 17h43 - Publicado em 18 Jan 2020, 16h59

Harry e Meghan com certeza achavam que viveriam felizes para sempre. Iam se mudar para o Canadá, ganhar muito dinheiro e fazer uma carreira de celebridades do primeiríssimo time.

Tipo Barack e Michelle Obama, o casal mais valorizado do mundo – que, inclusive estavam dando conselhos ao príncipe ruivo e sua duquesa americana.

Já tinham até registrado a marca SussexRoyal.

Quando quisessem, dariam uma colher de chá das cinco para o reino que estavam renegando. Uma festa aqui, uma cerimônia ali e pronto.

Nada das chateações da posição privilegiada que ocupavam, como inaugurar poste de luz, cumprimentar milhares de desconhecidos e seguir uma agenda estabelecida pelo pessoal que manda. Gentilmente, suavemente, respeitosamente, mas manda.

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Só não combinaram com a rainha, a avó esnobada pelo neto querido. Nem com o pai, o futuro rei Charles. Com o irmão William então, nem pensar. A barra entre os dois está muito mais pesada do que já se sabia.

O choque de realidade foi duro.

Como não existe meia gravidez, também não existe integrantes da família real que representam a rainha quando lhes dá na cabeça.

Resultado: estão completamente fora das funções de membros de primeira linha da família real, e das mordomias. E até da forma de tratamento que é a cereja do bolo dessa turma, sua alteza real.

Harry nasceu príncipe e assim continuará a ser. Ele e Meghan também mantém o título presenteado pela rainha Elizabeth quando se casaram, o de duque e duquesa de Sussex.

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Não receberão nem mais uma libra de recursos públicos.

Ah, sim, terão que ressarcir os mais de dez milhões de reais gastos para reformar o chalé que Elizabeth havia gentilmente presenteado ao casal, quando a convivência entre os irmãos nos palacetes vizinhos de Kensington se tornou impossível.

Graciosamente, poderão ocupar o Frogmore Cottage, que fica nos verdejantes domínios do Castelo de Windsor, quando estiverem na Inglaterra.

E só.

O comunicado oficial do Palácio de Buckingham – ou seja, da rainha – é um exercício de brutalidade shakespeariana, com ligeiros pedaços de veludo para amenizar os golpes.

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“Harry, Meghan e Archie sempre serão membros muito amados de minha família”, diz o real comunicado.

“Reconheço os desafios que enfrentaram como resultado do intenso escrutínio dos últimos dois anos e apoio seu desejo de uma vida mais independente.”

Todo o resto das más notícias – perder a forma de tratamento, pagar pela reforma da própria casa – vem numa parte do comunicado atribuído a Harry e Meghan. Algo como assinar a própria sentença de morte.

“Eles entendem que precisam se afastar das obrigações reais, inclusive nomeações militares oficiais.” Tradução: adeus, Harry, desfilando de uniforme de gala em cerimônias oficiais.

“Os Sussexes não usarão mais os títulos de SAR pois não são mais membros efetivados da família real”. Tradução: punhalada pela frente.

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“O duque e a duquesa de Sussex manifestaram o desejo de ressarcir os gastos de remodelação de Frogmore Cottage”. Tradução: estão sendo obrigados a enfiar a mão no bolso.

“O Palácio de Buckingham não comenta detalhes das disposições de segurança. Existem processos bem estabelecidos para determinar a necessidade de segurança custeada por recursos públicos”. Tradução: devem continuar a ter guarda-costas oficiais – e caríssimos.

“O novo modelo entra em efeito na primavera de 2020”. Tradução: assunto encerrado para todo o sempre.

Definitivamente não foi uma boa ideia desafiar a avó rainha e o pai herdeiro, não acatar a ordem de que todos os arranjos acima fossem discutidos antes, ameaçar uma crise de “saúde mental” por parte de Harry caso os desejos do casal não fossem atendidos exatamente como queriam e plantar insinuações de chantagem tipo “entrevista contando tudo”.

A rainha é avó, sempre teve um fraco pelo neto bagunceiro que ficou órfão de mãe com apenas doze anos e gostaria de não enfrentar uma crise das proporções da que foi criada, desnecessariamente, por Harry e Meghan.

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Mas não é boba.

Diante de um Megxit negociado segundo as exigências do casal ou um Megxit puro e duro, mostrou quem manda.

Quem sabe Harry e Meghan não sejam mesmo felizes para sempre, badalados entre os mais ricos e generosos do planeta, adorados por multidões deslumbradas, milionários em seu caminho “financeiramente independente”, como disseram?

Mas no balcão de Buckingham, nunca mais.

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