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O último obstáculo: faltam 30 votos para Brexit desencantar

Aprovação do acordo quase miraculoso de Boris Johnson com União Europeia depende de apenas três dezenas de parlamentares; problema é o “apenas”

Por Vilma Gryzinski - 17 out 2019, 11h54

Com emoção ou sem emoção?

Com, é claro. Tudo que foi relacionado até agora ao Brexit veio carregado de fortíssimas emoções e agora não vai ser diferente.

Depois de conseguir o que todo mundo dizia ser impossível, Boris Johnson agora precisa fazer um triplo mortal carpado para encerrar a fatura.

Com base nas três votações feitas durante o governo de Theresa May, já existe uma previsão: apenas 30 membros da Câmara dos Comuns precisam ser convencidos a aprovar o acordo.

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Para colocar uma pimenta adicional, são quase todos de seu próprio partido.

e agora vem a malagueta: do total de conservadores contra o acordo, 21 foram expulsos, numa das manobras mais brutais e contestadas, do curto governo de Boris, por votarem contra o governo.

Nas três votações anteriores, as propostas da ex-primeira-ministra foram desaprovadas, mas o número de votos contra foi caindo.

Na última, foram 286 votos a favor e 344 contra.

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Não existem razões para presumir que os parlamentares favoráveis mudem de voto justamente agora, quando a União Europeia fez o que disse que jamais faria e admitiu algumas pequenas concessões para ter uma saída sem traumas maiores do que os necessários.

Para complicar, o Partido Conservador só consegue governar porque fez uma aliança com o pequeno Partido Democrático Unionista, o DUP.

Representando os protestantes minoritários da Irlanda do Norte, a favor, obviamente, de continuar no Reino Unido (ao contrário dos católicos, loucos para se bandear para o lado da República da Irlanda), o DUP engrossou na última hora.

Considerou excessivas as garantias que permitem à Irlanda do Norte continuar, por um período a ser determinado, sob as regras de livre trânsito de bens da União Europeia (haverá uma complicadíssima “fronteira marítima” entre as duas ilhas, a irlandesa e a britânica, para salvar as aparências).

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Sem os dez votos do DUP, a vida de Boris Johnson fica mais difícil ainda.

Nunca ninguém disse que seria fácil.

Mas também soa absurdo que, tendo chegado, contra todos os prognósticos, até o ponto atual, o acordo naufrague por causa de 30 parlamentares.

Como o absurdo virou o normal desde a espantosa aprovação do Brexit, há três anos, a Câmara dos Comuns chega ao próximo Super Sábado, sua primeira sessão num dia desses desde a Guerra das Malvinas, no fio da navalha.

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Os pubs vão bombar.

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