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O time mais chato do mundo: as americanas do futebol

O que fariam as campeãs hábeis e bem sucedidas da seleção dos EUA se começassem a ganhar mais que os homens? Devolveriam a diferença?

Mais bobo do que Messi choramingando sobre a Copa América, mais narcisista do que Cristiano Ronaldo em qualquer circunstância, mais chato do que Felipe Melo e Deyverson (segundo pesquisa entre jogadores; esta coluna não tem opinião a respeito) e mais insuportável do que a coleção de futebolistas brasileiros que se consideram vítimas de perseguições infinitas, caindo em prantos soluçantes quando ganham alguma coisa e se consideram vingados.

A seleção feminina de futebol dos Estados Unidos é tudo isso e mais um pouco. As reclamações sobre pagamento igual acrescentam uma dimensão extra ao chororô habitual da categoria.

E não é só no teatro habitual das comemorações pós-jogo. As 28 integrantes da seleção feminina entraram com processo contra a Federação de Futebol dos Estados Unidos por discriminação salarial.

Se são tão boas como demonstraram ao ganhar a quarta Copa do Mundo feminina, não é impossível que passem a gerar mais ingressos do que os nunca ganhadores da seleção masculina.

Aliás, isso já está acontecendo em matéria de bilheteria e de ingressos gerados pela venda de camisas do time.

Falta uma certa distância até que o grosso do dinheiro, produzido pelos direitos de transmissão, se equilibre. A Copa tradicional, masculina, da FIFA gerou 6 bilhões de dólares; a feminina, 131 milhões.

Como a seleção feminina obedece a outros critérios, como organização não lucrativa mantida pela Federação, as mulheres podem realmente receber recompensa igual.

Podem até ganhar mais, por que não? Quem sabe, times como Sky Blue, Washington Spirit e Seattle Sounders, os desconhecidos nomes do futebol feminino americano, venham a igualar ou até superar um Barcelona, um Chelsea e outros monstros.

O que fariam Megan Rapinoe e suas colegas? Nobremente pagariam a diferença aos colegas homens do próprio bolso? Entrariam com processo para ganhar menos? É claro que não.

Cara feia

O princípio de pagar o mesmo a homens e mulheres com as mesmas funções e as mesmas habilidades, uma exigência legal, nem sempre é respeitado, por resquícios até inconscientes de discriminação.

Mas, nos Estados Unidos, o pavor de processos na Justiça faz as empresas tomar os maiores cuidados.

Será interessante acompanhar o processo das jogadoras americanas.

Megan Rapinoe e companheiras reivindicam um direito que pode ou não ser reconhecido pela Justiça. Mas, sobretudo, usam sua posição de destaque para fazer militância política.

A chatice vem daí: brigar como se fossem pobres vítimas da sociedade e se aproveitar do merecido destaque esportivo para se passar por perseguidas.

Não estamos falando aqui de Muhammad Ali, o fabuloso Cassius Clay, que lutava boxe numa época de muita discriminação aos negros, mas de mulheres que podem fazer o que quiser, inclusive casar entre si, como vão fazer Ali Krieger e a goleira Ashlyn Harris, juntas há dez anos.

A atacante de cabelos cor-de-rosa triplica a dose. Fala palavrões diante das câmeras, xinga Donald Trump e faz cara feia quando toca o hino americano. Se um homem fizesse isso, seria execrado.

Colin Kaepernick, o jogador de futebol americano que ganhou fama – e infâmia – por ficar displicentemente sentado quando tocava o hino, é um cristão protestante do tipo que não exibiria em público nem um décimo da boca suja de Rapinoe.

Sabe que seria um péssimo exemplo para as crianças que se espelham nos ídolos do esporte. Se Rapinoe acha que está fazendo um bem para as meninas americanas que jogam futebol, alguém deveria dizer a ela que “atitude” não tem nada a ver com palavrões e bebedeira em público.

Nem com dizer que o futebol precisa das lésbicas. E as meninas que podem até desistir de jogar se o esporte for rotulado como coisa só para mulheres homossexuais?

A ideia de que os esportes mais competitivos só atraem lésbicas é, evidentemente, falsa. Pode ser que mais mulheres homossexuais do que na população em geral sigam carreiras esportivas, mas bastam duas palavras para derrubar a obrigatoriedade da associação: Ronda Rousey.

Ouro olímpico em judô e campeã arrasadora da UFC, ela foi eleita a maior esportista mulher dos Estados Unidos em todos os tempos. É casada com um lutador e conta, na autobiografia, como estraçalhou um ex-namorado que postou fotos dela nua sem consentimento.

Hope Solo, a ex-goleira da seleção de futebol, também deu umas pancadas no marido e foi processada por violência doméstica.

O que tudo isso significa? Mulheres podem fazer as mesmas besteiras, e até agressões, que homens, mesmo sem cromossoma Y e sem ser da turma da letra L.

Presidenta Rapinoe

Muitos americanos que abominam a comportamento de Megan Rapinoe acham que está atrás exatamente do que Kaepernick, mesmo fora da liga nacional, conseguiu: um contrato publicitário com a Nike.

Kaepernick, sozinho, conseguiu que a fabricante de materiais esportivos tirasse do mercado, pouco antes do lançamento, um tênis comemorativo do Quatro de Julho, com uma bandeira usada no início da Revolução americana.

A Nike ganhou com a divulgação gratuita causada por polêmicas assim – o mesmo princípio do “falem mal, mas falem de mim” habilmente manipulado por Donald Trump para ser eleito presidente.

Os americanos que já não gostavam de Kaepernick por desrespeitar o hino e a bandeira, passaram a detestá-lo mais ainda.

E o tênis virou um objeto de colecionador.

Os cabelos cor-de-rosa de Megan Rapinoe, filha de um veterano militar que votou em Trump, da mesma forma que quase 70% de sua cidadezinha no interior da Califórnia, podem estar influenciando suas ideias.

Ela e a namorada, a jogadora de basquete Sue Bird, estão propagando uma candidatura presidencial da atacante. É sério. Pensam que é só no Brasil que carreira no futebol abre portas na política?

Em entrevista à lésbica mais famosa dos canais a cabo, Rachel Maddow (dos canais abertos é a apresentadora Ellen DeGeneres, Megan Rapinoe declarou: “Minha namorada disse para eu ter cuidado, ir mais devagar, vão pedir que você concorra a presidente.”

Como um Cristiano Ronaldo sem saias, elocubrou: “As pessoas estão falando nisso. Não sei, as coisas mudaram dramaticamente nos últimos dias.”

Uma prova definitiva de que, seja qual for o cromossoma ou a orientação sexual, o futebol faz um bocado de gente viajar na maionese.

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