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Calma que o vírus é manso: exageros sobre corona alarmam

É claro que as cenas e os números vindos da China dão pânico, mas o vírus respiratório tem letalidade baixa em comparação com 'colegas' da pesada

Por Vilma Gryzinski - 27 jan 2020, 08h26

Quem não sente um aperto no estômago quando vê multidões andando de máscara na China, acompanhadas de número de grandeza chinesa: 50 milhões imobilizados em duas cidades enormes do interior do país, atrações turísticas fechadas, aeroportos e estações de trens tomados por agentes de saúde tomando a temperatura de todo mundo?

Para não falar nas “projeções por computador” prevendo 65 milhões de infectados.

Obviamente, a culpa não é do computador.

O coronavírus, com seu nome tão bonito, realmente dá um medo danado.

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Mas os exageros sobre sua propagação e seus efeitos criam um pânico desnecessário. O vírus tem letalidade baixa, calculada em 4% . O tipo de Ebola mais recente, que devorou mais de onze mil vidas na África Ocidental, matava 90% dos contaminados.

Para não falar no HIV, outro vírus de origem africana, com letalidade total quando emergiu catastroficamente, mas hoje passível de ser controlado por um formidável arsenal de tratamentos médicos pesquisados e aperfeiçoados em poucas décadas.

O HIV é o vírus mais letal da história recente, com cerca de 35 milhões de mortos, tendo sido especialmente devastador para homossexuais.

Parece muito, mas é uma alteração relativamente pequena comparada à longa história humana de batalhas contra agentes biológicos incrivelmente capacitados para nos destruir.

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Só no século XX, a varíola matou entre 300 milhões e 500 milhões.

De modo geral, os vírus que causam doenças respiratórias surgem no Oriente e os da família das febres hemorrágicas saem da África. Pacientes de Ebola chegaram a “chorar” sangue, tamanha a virulência da hemorragia nos órgãos internos.

A forma como passam dos seus hospedeiros originais para o homem também costuma ser de arrepiar.

O paciente zero da última epidemia de Ebola foi um menininho de dois anos, Émile Oumouno. Ele morreu em 6 de janeiro de 2013, no interior da Guiné. Possivelmente um cozido de morcego, um prato não incomum na região, foi a origem.

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O contato deve ter sido anterior à preparação, através do sangue do morcego.

Além de ter aparência pouco amigável – exceto, claro, para os estudiosos que os amam –, os morcegos são mais suscetíveis às infecções virais do que os outros mamíferos. É uma característica ligada à baixa produção de anticorpos.

A ideia de cavernas africanas infestadas por morcegos que podem desencadear o vírus que destruirá a humanidade e os aventureiros científicos que os “caçam” obviamente já inspirou muitas obras de ficção.

Inclusive porque já aconteceu na realidade com o vírus de Marburg, chamado assim por causa da cidade alemã onde contaminou pesquisadores de um grande laboratório, saltando para a população em geral.

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Foram 31 contaminados e sete mortos.

O vírus de Marburg é parecido com o Ebola nos efeitos e na letalidade.

Guisado de morcego e sopa de cobra, com todo o estranhamento cultural que provocam, foram atribuídos por cientistas à origem do novo coronavírus, embora haja divergências.

O marco zero foi localizado num mercado de Wuhan, onde animais vivos ficam confinados em espaços pequenos (gaiolas, aquários, baldes), esperando ser levados para a mesa – e todos sabem que chineses gostam de tudo que anda, nada, voa, salta, rasteja ou simplesmente respira. Tudo mesmo.

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O vasto cardápio dos vírus influenza que regularmente provocam gripes aviárias costumam ter essa procedência.

A convivência forçada entre espécies diferentes – galinhas e porcos, morcegos e cobras – também favorece a transmissão e adaptação dos vírus.

O “salto” que dão para os humanos é sempre muito investigado – e nem sempre esclarecido – pela ciência.

Todos os primeiros dos 56 mortos por coronavirus na China eram funcionários ou clientes do mercado que mistura animais vivos e açougues. Eram também idosos com doenças anteriores, já naturalmente mais suscetíveis à pneumonia.

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Com sua “inteligência” perversa – para nós, evidentemente –, os vírus se adaptam e descobrem rapidamente novas formas de encontrar hospedeiros e portadores para se propagar.

Muitas das cenas mais impressionantes do novo coronavírus estão relacionadas com o uso de macacões para perigo biológico e outros equipamentos de isolamento que foram aperfeiçoados por causa do Ebola. A contaminação através de fluídos corporais foi devastadora para profissionais de saúde na África.

O novo corona tem propagação muito mais fácil, como a da gripe. Espirros e tossidos disparam mísseis invisíveis carregados do vírus com “espinhos” que lembram a coroa solar vista nos eclipses.

Pode se adaptar para ficar mais malvado e a velocidade e frequência de viajantes chineses são espantosas.

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Pior, o período em que fica incubado e assintomático aumenta os riscos de propagação.

Mesmo com a letalidade baixa e o número relativamente contido – ao que se saiba – de infectados, já provocou queda na bolsa, baixou o preço do petróleo, fechou a Muralha da China e espalhou pelo mundo a pergunta mergulhada no inconsciente coletivo: “E se for dessa vez?”.

Do jeito que está, não é.

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