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A presidente impichada, os ‘amigos’ da amiga dela e um lulu

Escândalos que levaram a presidente sul-coreana, dominada por uma líder espiritual, a sofrer impeachment ganham aspectos cada vez mais alucinantes

Por Vilma Gryzinski Atualizado em 30 jul 2020, 21h08 - Publicado em 10 dez 2016, 11h46

Brasil e Coreia do Sul disputam atualmente um campeonato infernal: qual país tem os escândalos políticos mais espantosos. Precisamos reconhecer que até nisso estamos perdendo, embora sempre haja espaço para uma recuperação.

O fato mais evidente em comum é que duas presidentes sofreram impeachment, cercadas por um mar de corrupção. O da sul-coreana Park Geun-hye foi aprovado pela Assembleia Nacional na sexta-feira e a decisão final agora depende dos nove juízes da Suprema Corte.

Não existe um prazo fixo para a sentença final, mas, se o afastamento for consumado, haverá eleições presidenciais em prazo de 60 dias. Como a Coreia do Sul tem um sistema político misto, o primeiro-ministro está interinamente no comando.

Longe de qualquer coisa parecida com uma crise econômica, apesar de passar por fase de desaquecimento, o país vive sempre sob o domínio do medo de um ataque dos inimigos nuclearizados do Norte.

O medo aumentou com a eleição de Donald Trump, que reclamou durante a campanha do excesso de gastos dos Estados Unidos para proteger o aliado pelo qual foi à guerra na década de 50.

As sessões parlamentares que levaram ao impeachment da presidente deixaram o país siderado e trouxeram à tona detalhes impressionantes sobre os métodos da “guia espiritual” da presidente, Choi Soon-sil.

É esta amiga que está sendo acusada de usar sua influência sobre a presidente agora impichada para extorquir quase 70 milhões de dólares de empresas como Samsung e Hyundai para duas fundações usadas como fachada.

Segundo novas revelações, Choi tambêm misturava negócios com prazer. Um ex-campeão de esgrima, o bonitinho Ko Young-tae, surgiu em cena como testemunha. Contou que conheceu Choi quando ela pediu que levasse alguns modelos de bolsas produzidas em sua fábrica. A presidente agora implicada havia acabado de ser eleita.

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Nasceu aí uma relação profícua. Ko forneceu entre 30 e 40 bolsas caríssimas, feitas de materiais raros como avestruz e crocodilo, que depois apareceram no braço da presidente Park. A amiga pagava tudo.

Aparentemente, tudo mesmo. Ko nega qualquer envolvimento “romântico”, mas já tinha trabalhado como “recepcionista” em bares para senhoras mais velhas em busca de entretenimentos variados. Seu nome apareceu em empresas de fachada de Choi Soon-sil na Alemanha.

A intimidade diminuiu quando ele apresentou a Choi outro amigo bonitinho, o diretor publicitário Cha Eun-taek. E azedou de vez quando a amiga poderosa encarregou Ko de cuidar do

cachorro da filha enquanto ela viajava para a Alemanha. Um dia, Ko saiu para jogar golfe e, na volta, encontrou em casa a furiosa Choi. Levou uma bronca daquelas por abandonar o lulu.

“Ela me tratava como escravo”, reclamou Ko. A partir do escândalo do cachorro, ele passou a reunir provas sobre a influência de Choi sobre a presidente. Entre elas, os discursos presidenciais que a amiga alterava.

Enquanto Ko tramava a vingança, a proximidade entre Choi e Cha aumentava. A “guia espiritual” pediu sugestões de nomes ao diretor publicitário para postos importantes, como ministro da Cultura e secretário da Educação. As sugestões emplacaram.

Foi Ko Young-tae, transformado em ídolo de meninas apaixonadas, quem passou para a imprensa os primeiros indícios sobre a influência ilegítima e potencialmente ilegal da “guia espiritual” no governo.

A briga por causa de um cachorro acabou desencadeando a crise que levou ao impeachment da presidente. Até em Brasília deve ter gente espantada com a política sul-coreana.

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