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Mundialista Por Vilma Gryzinski Se está no mapa, é interessante. Notícias comentadas sobre países, povos e personagens que interessam a participantes curiosos da comunidade global. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

A “madame” do escândalo Epstein pode detonar muita gente

“Ghiislaine Maxwell cometeu suicídio na semana que vem”, dizem os mais céticos, por causa das ligações perigosíssimas que a prisão dela ameaça

Por Vilma Gryzinski - Atualizado em 3 jul 2020, 11h17 - Publicado em 3 jul 2020, 08h45

Um príncipe (Andrew), dois presidentes (Bill Clinton, Donald Trump), um primeiro-ministro (o israelense Ehud Barak) e uma agenda inteira de homens ricos de meia idade e sem vergonhice inteira têm motivos para não dormir direito desde ontem.

Ghislaine Maxwell, presa na casa que comprou em dinheiro e onde usava, desde dezembro, a tática de se esconder debaixo do nariz de todos, é um arquivo ambulante.

“Agora, mantenham ela viva”, proclamou o tabloide New York Post, ironizando o fato de que o ex-namorado e patrocinador dela, Jeffrey Epstein, conseguiu se suicidar – ou ser suicidado, segundo os conspiracionistas -, no ano passado, na prisão federal de Nova York supostamente à prova de qualquer coisa fora do roteiro.

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Ghislaine Maxwell, de 58 anos, teve uma vida totalmente fora do roteiro. De namorada do multimilionário que ao morrer deixou 500 milhões de dólares para o irmão, transformou-se em “recrutadora” de jovens menores de idade para integrar o harém que mantinha em suas mansões para atender seus caprichos sexuais.

Fazia-se de amiga das mais relutantes, conquistava sua confiança, trocava de roupa na frente delas, ensinava-as a “fazer a massagem que Jeff gosta”.

Eventualmente, ou até mais do que isso, participava de sessões de sexo a três.

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Mas, acima de tudo, mantinha um arquivo de contatos que abria as portas de gente importante para Epstein. 

Filho de um jardineiro no Departamento de Parques e Jardins, de professor de física e matemática ele saltou rapidamente para consultor financeiro, embora o único cliente realmente rico dele tenha sido Les Wexner, da Victoria Secret’s.

Com muito dinheiro – chegou a passar de 1 bilhão – e pouco traquejo social, Epstein encontrou em Ghislaine o caminho para o  acesso ao qual ambicionava.

Ghislaine não era uma pobre inocente cega pelo amor a um homem carismático, bonito e muito rico, além de viciado em sexo. 

Os depoimentos das jovens, hoje adultas, que apareceram para denunciar Epstein mostram o comportamento seguro e imperioso de Ghislaine.

“Estão tão feliz de ver que ela finalmente está no lugar que merece”, comemorou Virginia Roberts Giuffre, recrutada aos 14 anos por Ghislaine.

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Virginia se tornou a mais conhecida acusadora de Epstein por ter sido uma das pioneiras a acusá-lo. 

Mas, principalmente, por ser a mulher que “derrubou o príncipe Andrew”. 

Quando começou a aparecer em público, ela contou como foi “presenteada” em três ocasiões ao filho do meio da rainha Elizabeth.

Até uma foto ela tinha, mostrando Andrew enlaçando-a pela cintura. Ao lado, Ghislaine Maxwell. Estavam todos na casa dela, em Londres.

Andrew tornou-se o maior trunfo de Epstein, em termos de prestígio social. 

O príncipe cavou a própria cova ao ir a Nova York, hospedando-se na mansão dele,  depois que Epstein saiu da primeira cadeia, onde pegou uma pena leve de um ano, com direito a passar os dias trabalhando em casa. 

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Foi dar uma entrevista à televisão para limpar a barra e acabou fazendo um papel tão ridículo que precisou ser afastado das funções que exercia na família real. Nunca mais voltará a ocupá-las, embora, como filho da rainha, continue a circular nesse ambiente.

As autoridades americanas ainda estão esperando um depoimento voluntário dele. Vão esperar um tempão.

O suicídio de Epstein em vez de abrandar o escândalo, recrudesceu-o à medida em que  várias ex-integrantes do harém apareceram para contar sua história e também ganhar uma indenização tirada da bolada da herança.

O caso parece ter sido feito sob medida para despertar o conspiracionsta que mora em todos os corações.

Epstein gravava tudo o que acontecia em suas casas e ficava observando, ao vivo, os convidados famosos, de cientistas a políticos, de guarda baixa.

Punha seu avião, apelidado de “Expresso Lolita”, para transportar os mais necessitados, tipo Bill Clinton – pintado num quadro enorme na sua mansão de Nova York vestido de mulher, com uma roupa parecida com a de Hillary.

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Quando ainda era um incorporador imobiliário, Donald Trump e a namorada, Melania, cruzaram várias vezes em ambientes sociais. “Ele gosta de mulheres bonitas como eu, embora prefira as novinhas”, disse Trump num perfil sobre ele.

As suspeitas mais frequentes envolve o Mossad, o legendário serviço de espionagem de Israel, e a comprometedora  videoteca de Epstein.

Motivo adicional: o pai de Ghislaine, Robert Maxwell, também exibiu os sinais de ter tido uma importante ligação com o Mossad ao ser sepultado com honras em Israel.

Foi dele o primeiro suicídio suspeito na vida de Ghislaine. Nascido Ján Hoch na então Checoslováquia, fugiu da perseguição aos judeus e integrou o exército checo no exílio.

Com um novo nome, começou a ganhar dinheiro, chegando a se transformar em magnata da imprensa, incluindo entre suas propriedade o tabloide Daily Mail.

O castelo já estava caindo, via um buraco de 600 milhões de dólares no fundo de pensão dos funcionários de seu grupo, quando ele desapareceu durante uma viagem no iate Lady Ghislaine.

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Sua morte foi dada como acidental.

Os mesmos elementos se rearranjaram em torno de Ghislaine: suicídios suspeitos, armações financeiras, espionagem, gente muito importante e reputações na lama.

Agora, está todo mundo de olho no esquema de vigilância na cela de Ghislaine Maxwell. Sem contar os que perderam o sono por causa dela.

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