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Matheus Leitão Blog de notícias exclusivas e opinião nas áreas de política, direitos humanos e meio ambiente. Jornalista desde 2000, Matheus Leitão é vencedor de prêmios como Esso e Vladimir Herzog

Wilson Witzel: a maior goleada da história dos impeachments

No Brasil - e até quando comparado com outros países - nunca se viu uma derrota por tamanha goleada. O governador afastado não obteve um voto

Por Matheus Leitão - Atualizado em 29 set 2020, 12h04 - Publicado em 24 set 2020, 10h36

O governador afastado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, conseguiu uma proeza para a sua carreira política: a maior goleada da história dos impeachments, com 69 votos a 0, ou seja, por unanimidade pela abertura do processo. Enquanto o ex-juiz conseguiu 0% do parlamento em seu favor, a ex-presidente Dilma Rousseff, que sofreu o impeachment em 2016, conseguiu cerca de 28% dos votos. Até o ex-presidente Fernando Collor, que viu sua popularidade despencar devido a  medidas econômicas heterodoxas, obteve 12% de apoio.

Mesmo quando olhamos para outros países, uma vitória da oposição assim acachapante nunca aconteceu. Em 1997, o Congresso do Equador destitui o então presidente do país Abdalá Bucaram, mas ele conseguiu que 43% dos votos do parlamento fossem contrários a abertura do processo. Em 2012, o ex-presidente do Paraguai Fernando Lugo foi destituído em um “impeachment relâmpago”, que durou pouco mais de 24 horas. Mesmo nesse curto espaço de tempo, Lugo, com suas articulações, somou ao menos 9% dos votos em seu favor. 

Witzel será afastado agora por 120 dias para ser julgado em um fórum misto, formado por cinco deputados, cinco desembargadores sorteados e mais o presidente do Tribunal de Justiça do Rio  de Janeiro (TJ-RJ), Cláudio de Mello Tavares. Mas em solo carioca – até pela derrota sofrida no parlamento – ninguém acredita que ele conseguirá reverter o afastamento.

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