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Matheus Leitão Blog de notícias exclusivas e opinião nas áreas de política, direitos humanos e meio ambiente. Jornalista desde 2000, Matheus Leitão é vencedor de prêmios como Esso e Vladimir Herzog

Os desafios da vacinação contra a Covid-19 entre indígenas

Cacique da Aldeia Maçaranduba, em Bom Jardim, Maranhão, explica que os mais velhos não queriam ser imunizados com medo da vacina

Por Matheus Leitão Atualizado em 12 fev 2021, 09h45 - Publicado em 11 fev 2021, 09h27

A pandemia do coronavírus continua sendo um grande desafio para a população indígena. Se no começo da crise sanitária a vulnerabilidade dos povos e o alto risco de contaminação eram motivos de medo para as tribos e indigenistas, hoje, o principal temor é a própria vacina contra a Covid-19, principalmente por parte dos anciãos.

Em conversa com a coluna, o cacique Antonio Wilson Guajajara, da Aldeia Maçaranduba, situada na Terra Índígena Caru, em Bom Jardim, Maranhão, contou que devido às fakes news sobre a vacina, os mais velhos não queriam ser imunizados. Para convencê-los, foi necessário organizar uma reunião com todos os membros da tribo para explicar a importância da vacina e desmentir boatos.

“Quando a vacina chegou, metade da comunidade ficou com medo, inclusive os mais velhos. Eles ficaram bastante preocupados. Mas tudo porque eram muitas notícias falsas, e aí fazia com que eles ficassem com medo. Fiz uma reunião na aldeia, expliquei, chamei o pessoal da saúde para explicar também a importância da vacina e aí foi que eles tomaram”, relatou.

A aldeia possui cerca de 500 indígenas, entre crianças, jovens e adultos, e todos que estão nos grupos autorizados a receber o imunizante foram vacinados com a CoronaVac, ou seja, cerca de 300 pessoas.

“Somos 500 pessoas, incluindo as crianças. Os que tomaram mesmo a vacina chegam só a um total de 300 pessoas, o restante são crianças, as mulheres grávidas, que chegam na faixa de umas 10, e umas 20 mulheres que estão dando de mamar, que têm criança de colo. Essas também não tomaram por conta que estão amamentando”, disse o cacique.

Apesar de a maioria da aldeia ter sido vacinada, justamente pela não imunização das crianças, gestantes e lactantes, Guajajara enfatizou que os indígenas estão orientados a continuar mantendo os cuidados necessários para evitar a presença do coronavírus na aldeia.

“Os mais jovens, os mais velhos, que ficaram meio preocupados, tomaram também. Ou seja, todo mundo [está] vacinado. Só não as mães com bebê e as grávidas. Elas ainda não tomaram, mas estamos ainda tomando os cuidados para que a gente não possa passar por uma situação que nem está acontecendo em várias cidades”.

A Terra Indígena Caru conta com uma área de 173 mil hectares. No início da pandemia, o cacique Antonio Wilson Guajajara decidiu entrar com a comunidade mais para o interior da mata.

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