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Matheus Leitão Blog de notícias exclusivas e opinião nas áreas de política, direitos humanos e meio ambiente. Jornalista desde 2000, Matheus Leitão é vencedor de prêmios como Esso e Vladimir Herzog

Doria x Bolsonaro: o dia D e a hora H da foto da vacina 

No minuto M o presidente entende que pode perder popularidade sem a vacina e corre para tentar tirar o atraso

Por Matheus Leitão Atualizado em 14 jan 2021, 13h56 - Publicado em 14 jan 2021, 13h23

A disputa entre o governador de São Paulo, João Doria, e o presidente Jair Bolsonaro em torno da foto da vacinação contra a Covid-19 só ganhou corpo agora, quando o governo federal percebeu o tamanho do buraco em que se meteu.

A ficha caiu e o temor de Bolsonaro é um só: o crescimento da impopularidade diante do atraso na vacinação, enquanto seu adversário Doria poderá estar surfando com as imagens da população de São Paulo se vacinando contra o coronavírus.

O problema para o governo federal é que o estrago já está feito. Bolsonaro passou a pandemia (que ainda não acabou, diga-se de passagem) minimizando os efeitos do vírus nos brasileiros enquanto os corpos se empilhavam. Depois, ironizou também a importância da vacina.

Agora, aos 45 do segundo tempo, o governo federal quer disputar com o governo de São Paulo quem dará a primeira vacina. O Palácio do Planalto pensa em fazer a cerimônia da vacinação no dia 19, e Doria busca adiantar para o dia 17, assim que a Anvisa liberar a Coronavac.

Nada disso é por acaso. A imagem do início da vacinação será um espólio importante para 2022, quando os efeitos da pandemia ainda serão levados à urna eletrônica, para desespero do governo Bolsonaro e de seus satélites.

Uma das mais importantes perguntas do eleitor em 2022, ou a mais fundamental delas, será: o que você fez por mim durante a epidemia? Bolsonaro desdenhou, Doria tratou com seriedade. E isso poderá ser, sim, um fator determinante na hora do voto. A foto da vacina será essencial.

Política é como nuvem, já dizia Magalhães Pinto. “Você olha ela está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou’’. É uma das mais geniais explicações sobre a imprevisibilidade de uma eleição, especialmente a 22 meses do pleito.

Mas, em dezembro de 2020, 73% dos brasileiros disseram que estavam dispostos a tomar a vacina. Ou seja, desejavam o imunizante. Não adianta tentar tapar o sol com a peneira. Ou maquiar o que fez. Bolsonaro errou feio na estratégia contra o coronavírus. A conta pela incompetência vai chegar.

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