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Matheus Leitão Blog de notícias exclusivas e opinião nas áreas de política, direitos humanos e meio ambiente. Jornalista desde 2000, Matheus Leitão é vencedor de prêmios como Esso e Vladimir Herzog

Bolsonaro teria acusado prefeito de Manaus de ser “vagabundo”

Na reunião ministerial do dia 22 de abril, presidente também ironizou o pai do político amazonense. Arthur Virgilio reage: “Se tem um vagabundo não sou eu"

Por Matheus Leitão - Atualizado em 14 Maio 2020, 21h23 - Publicado em 14 Maio 2020, 18h53

Na reunião ministerial de 22 de abril, o presidente Jair Bolsonaro falou, em alguns momentos, sobre a pandemia do novo coronavírus. Incentivados pelo chefe, ministros reclamaram de medidas restritivas tomadas por governadores e prefeitos.

Nesse contexto, o presidente criticou os gestores que determinaram a abertura de covas coletivas para enterrar as vítimas da doença. Segundo pessoas que tiveram acesso à gravação da reunião, Bolsonaro cita especificamente o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB), fazendo referência ao pai do político, Arthur Virgílio Filho, senador que foi perseguido e cassado pela ditadura militar (1964-1985).

O conteúdo da fala de Bolsonaro seria o seguinte, de acordo com o relato feito à coluna:  “aquele ‘vagabundo’ do prefeito de Manaus, que está abrindo cova coletiva para enterrar gente e aumentar o índice da Covid. Vocês sabem filho de quem ele é, né?”, teria dito o presidente na reunião, rindo após fazer a pergunta retórica. 

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A coluna questionou o Palácio do Planalto sobre o teor das declarações do presidente, mas a presidência da República não quis comentar.

A gravação da reunião é até o momento a prova mais importante do inquérito que investiga a suposta tentativa de interferência na Polícia Federal por Bolsonaro, após as denúncias do ex-ministro da Justiça Sérgio Moro. Enquanto o ex-juiz quer a divulgação de todo conteúdo da gravação, integrantes do governo defendem que seja liberado apenas parte dela.

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“Bolsonaro não se aproxima da coragem do meu pai”

Também procurado pela coluna, Arthur Virgílio afirmou que Bolsonaro não poderia fazer a referência ao seu pai. “Não pode porque ele não se aproxima na coragem, nem na honradez do meu pai. Meu pai não se metia em rachadinha. É um exemplo. Se ele seguisse o exemplo do meu pai o país não estaria como está agora”, afirmou, emocionado.

“O ídolo dele é o torturador [Carlos Alberto] Brilhante Ustra, de quem eu tenho nojo e asco. Bolsonaro que fique com o Ustra, enquanto eu fico com o meu pai, com Ulysses Guimarães, com tantas pessoas imoladas e que lutaram contra o regime militar. Se Bolsonaro estivesse no Exército e dessem a ele essa oportunidade, ele torturaria. Ele busca memórias que torturam. Ele é um torturador”, disse, chorando.

O prefeito de Manaus ainda afirmou que Bolsonaro “não respeita ninguém, insulta a todos e não muda”. “Eu passo o dia trabalhando, já ele bate perna. Então se tem um vagabundo aqui não sou eu não. Vagabundo é quem não faz nada. Eu é que não vejo ele trabalhando. Bolsonaro é co-responsável por essas mortes todas pela Covid-19”, afirmou Arthur Virgílio.

“Como eu trabalho e não sou vagabundo, tenho de fato enfrentado a pandemia como guerra. E na guerra a gente enterra. Não tem cova rasa. Estamos fazendo um memorial para os que tombaram por conta do vírus”, disse o prefeito de Manaus.

 

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