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Matheus Leitão Blog de notícias exclusivas e opinião nas áreas de política, direitos humanos e meio ambiente. Jornalista desde 2000, Matheus Leitão é vencedor de prêmios como Esso e Vladimir Herzog

A lição que Bolsonaro merece receber

Ataques do presidente ao Enem e à história do Brasil precisam ser investigados

Por Matheus Leitão 19 nov 2021, 18h57

O presidente Jair Bolsonaro adora repetir que a imprensa brasileira tem obsessão pelo tema ditadura militar (1964-1985). É mais uma de suas mentiras.

Ele mesmo, o presidente, que vive obcecado por ditaduras. Volta e meia, desde que assumiu  a presidência, Bolsonaro faz alguma louvação ao Golpe de 64.

Quando era deputado defendeu a tortura a opositores do regime, em mais de uma ocasião, dentro do Congresso Nacional, poder que chegou a ser fechado pelo regime militar.

Todos lembram o voto nefasto no impeachment de Dilma Rousseff, quando Jair Bolsonaro citou o torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra.

No dia da homenagem da Câmara ao ex-deputado Rubens Paiva, um dos muitos desaparecidos políticos brasileiros, o presidente cuspiu no busto do ex-parlamentar na frente dos seus descendentes.

O histórico do presidente que mostra, sim, obsessão em relação ao tema. No Chile, passou vergonha ao manter a mesma postura de fazer elogios a regimes ditatoriais. Tomou um “chega para lá” do presidente Sebastián Piñera.

Agora, às vésperas do Enem, reportagem do jornalista Paulo Saldaña, da Folha, revela que o presidente pediu para que trocassem o termo Golpe de 1964 por “Revolução”, exatamente como os ditadores brasileiros chamavam o regime.O presidente já havia declarado que agora o exame de vestibular “tem a cara do governo”.

Por isso, é mais que oportuna a decisão do Tribunal de Contas de União de abrir processo para investigar suspeitas de irregularidades no Inep, órgão ligado ao Ministério da Educação responsável por desenvolver e aplicar a prova do Enem.

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