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Renan Filho sobre a visita de Bolsonaro a Alagoas: ‘Um péssimo exemplo’

Filho do senador Renan Calheiros, o governador afirmou que o presidente foi ao estado fazer um 'contraponto mal educado e despropositado' à CPI da Covid-19

Por Edoardo Ghirotto 13 Maio 2021, 16h54

O governador de Alagoas, Renan Filho (MDB), afirmou que a visita de Jair Bolsonaro ao estado nesta quinta-feira, 13, foi despropositada e “fora dos parâmetros aceitáveis para um presidente da República”. Filho do senador Renan Calheiros (MDB-AL), que é relator da CPI da Covid-19, o governador disse temer que as aglomerações provocadas por Bolsonaro nas cidades de Maceió e de São José da Tapera possam prejudicar o combate à pandemia no estado.

“Bolsonaro veio a Alagoas fazer um contraponto à CPI da Covid-19. Foi um contraponto mal educado, despropositado e fora dos parâmetros aceitáveis para um presidente da República”, afirmou Renan Filho em entrevista a VEJA. “Foi mais do mesmo negacionismo de sempre. Ele afeta o estado como já afetou o Brasil. O país tem péssimos resultados no combate à pandemia. Nós estamos fazendo um bom trabalho em Alagoas, mas ele veio aqui para piorar os nossos índices. Espero que o contágio não se agrave entre a população. Foi um péssimo exemplo.”

Em Maceió, Bolsonaro participou da entrega de casas populares e relançou um viaduto que o governo do estado havia inaugurado no dia 23 de dezembro do ano passado. Na cerimônia, ele afirmou que na CPI há um “vagabundo inquirindo pessoas de bem”. O xingamento foi o mesmo que o filho mais velho do presidente, senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), usou para ofender Renan Calheiros na sessão de quarta-feira, 12, da CPI. Bolsonaro também disse que “é um crime o que vem acontecendo com essa CPI”. A comissão foi instalada para investigar ações e omissões do governo federal durante a pandemia.

O presidente Jair Bolsonaro não usou máscara ao interagir com outras pessoas e provocou aglomerações durante uma visita a Maceió -
O presidente Jair Bolsonaro não usou máscara ao interagir com outras pessoas e provocou aglomerações durante uma visita a Maceió – Alan Santos/PR/Divulgação

Renan Filho evitou responder diretamente aos ataques de Bolsonaro, mas defendeu as investigações realizadas até aqui pela CPI. “Respondo a esse ato de violência gratuita com mais defesa da vida e combatendo a pandemia. Exijo que a CPI faça uma investigação completa e que ela possa responsabilizar aqueles que se aliaram ao vírus ao impedirem a compra de vacinas ou ao incentivarem as pessoas a não utilizarem máscaras e a fazerem tratamentos precoces fantasiosos”, declarou.

Estiveram com Bolsonaro o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (Progressistas-AL), o senador Fernando Collor (Pros-AL) o prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (PSB), e os ministros da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, do Turismo, Gilson Machado, e do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho. Durante os eventos, Bolsonaro desrespeitou as medidas sanitárias de combate à pandemia ao provocar aglomerações e ao interagir com outras pessoas sem usar uma máscara de proteção. Alagoas já registrou 181.659 casos de Covid-19 e 4.429 mortes (taxa de 132,15 óbitos por 100 mil habitantes, a terceira menor do país).

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