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Os (poucos) indícios de financiamento de fake news apresentados pela CPI

Relatório da comissão aponta empresários bolsonaristas Otavio Fakhoury e Luciano Hang como financiadores de desinformação, mas apuração é inconclusiva

Por Reynaldo Turollo Jr. Atualizado em 20 out 2021, 15h08 - Publicado em 20 out 2021, 14h51

Muito se diz sobre empresários bolsonaristas que bancam fake news, mas pouco se sabe publicamente sobre esse suposto financiamento. Um dos tópicos do relatório da CPI da Pandemia, que está sendo lido nesta quarta-feira, 20, no Senado, trata do tema. Ele atribui aos empresários Otavio Fakhoury e Luciano Hang o papel de financiadores de um esquema mais amplo, dividido em núcleos (de comando, de formulação, de produção e disseminação e político).

Quanto a Fakhoury, que teve o sigilo quebrado, o relatório afirma que suas movimentações bancárias apontam a transferência de 310.279 reais, em 2020 e 2021, para o Instituto Força Brasil (IFB), “disseminador de fake news na pandemia e propagador do negacionismo e do tratamento precoce”. Ainda segundo o relatório, um levantamento da CPI constatou que o IFB dá apoio, suporte jurídico e patrocínio para três sites ou perfis que promovem desinformação: Verdade dos Fatos, Awake Giants Brasil e Crítica Nacional – esse último, inclusive, traz nesta tarde uma manchete dizendo que um estado da Índia está “quase livre” da Covid-19 porque adotou o tratamento precoce.

O relatório menciona também, de passagem, que a quebra de sigilo de Fakhoury permitiu “detectar ainda transferências financeiras para [o blogueiro bolsonarista] Allan dos Santos e pessoas ligadas ao grupo de formulação”, mas não há maiores detalhes sobre essas transações.

Já em relação a Hang, o relatório o qualifica como financiador de fake news com base em documentos obtidos pela CPI que mostram uma troca de mensagens entre Allan dos Santos, dono do site Terça Livre, e o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro, na qual o empresário dono das lojas Havan é citado. Nessa troca de mensagens, de 18 de maio de 2019 – período anterior à pandemia –, Allan escreve para Eduardo: “Luciano Hang tá dentro”, “Patrocínio para o programa”. Não há informação adicional sobre se o patrocínio se concretizou e de quanto foi.

O texto também destaca que, em depoimento à CPI, Hang confirmou – dizendo “pode ser que sim” – que anúncios de suas lojas podem ter sido direcionados pelo Google para sites que espalham notícias falsas. E termina, em tom inconclusivo, afirmando que “vale destacar a necessidade de os órgãos de investigação apurarem a atuação de offshores em nome do empresário, uma vez que há indícios que é por meio delas que são realizados pagamentos de automação para impulsionar as redes sociais do grupo”.

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