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O descontentamento dos católicos com Bolsonaro só aumenta

Segundo o Ipespe, taxa de fiéis que acham governo ruim ou péssimo foi de 35% para 56% em um ano; no Datafolha, Lula tem vantagem de 28 pontos nesse segmento

Por Da Redação 19 out 2021, 11h38

A passagem de Jair Bolsonaro pela basílica de Aparecida no último feriado dedicado à Padroeira do Brasil, em 12 de outubro, não foi das melhores para o presidente: ouviu vaias e xingamentos na chegada (e alguns aplausos também) e teve que ouvir o padre José Ulysses da Silva, porta-voz do santuário, criticar, durante a homília, a defesa de armas para a população e aqueles que colocam os interesses econômicos acima de vidas. Antes de Bolsonaro chegar, o arcebispo dom Orlando Brandes já havia declarado que “para ser pátria amada, não pode ser pátria armada”, no que também foi entendido como um recado ao presidente.

Embora seja católico, Bolsonaro não tem entre os seus companheiros de fé o mesmo amplo apoio que consegue entre os evangélicos, de quem sempre foi mais próximo. E isso tem piorado.

Segundo a última pesquisa de avaliação do governo, feita pelo Ipespe entre os dias 22 e 24 de setembro de 2001, o número de católicos que consideram o governo ruim ou péssimo saltou de 35% em setembro de 2020 para 56% em setembro deste ano (aumento de 21 pontos) – já o percentual dos que avaliavam o governo como ótimo ou bom foi de 39% para 22% (queda de 17 pontos).

Como comparação, entre os evangélicos, a taxa dos que consideram o governo ruim ou péssimo aumentou apenas dez pontos percentuais no mesmo período – de 26% para 36% –, mas há um sinal de alerta, já que o índice dos que avaliam o mandato como ótimo ou bom caiu de 48%para 30% no mesmo intervalo de tempo. A diferença em relação aos católicos é que um percentual grande ainda avalia o governo como regular (29% contra 17% católicos e 12% de outras religiões).

Datafolha

Outra evidência de que o humor dos católicos com o presidente não é dos melhores está na pesquisa Datafolha, feita entre os dias 12 e 15 de setembro. Segundo o instituto, a vantagem do petista para Bolsonaro, que é de 18 pontos percentuais no eleitorado geral (44% a 26%), sobe para 28 entre os católicos (50% a 22%). Entre os evangélicos, o presidente tem a vantagem: 38% contra 34% do petista.

Quando o assunto é rejeição, nada menos que 64% dos católicos afirmaram que não votariam de jeito nenhum em Bolsonaro — entre os evangélicos esse percentual é de 44%. Para comparação, a rejeição de Lula entre os católicos é de apenas 33%.

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