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‘Maior passada de pano da história’, diz deputada assediada em SP

Fernando Cury (Cidadania), flagrado apalpando o seio de Isa Penna (PSOL), é afastado por 119 dias pelo Conselho de Ética, mas manterá a verba de gabinete

Por Tatiana Farah 5 mar 2021, 19h42

“Foi a maior passada de pano da história”, resumiu a deputada estadual Isa Penna (PSOL), de São Paulo, ante o resultado do julgamento do colega Fernando Cury (Cidadania) no Conselho de Ética da Assembleia Legislativa nesta sexta-feira, 5. Por cinco votos a quatro, os parlamentares derrubaram o relatório que pedia seis meses de suspensão por ele ter apalpado a parlamentar no seio durante uma sessão. Com os 119 dias de suspensão determinados pela comissão, Cury não perde os funcionários de seu gabinete, mantendo a verba mensal de 100 mil reais.

“Com uma suspensão acima de quatro meses, Cury não poderia manter o seu gabinete funcionando. Por isso esperávamos os seis meses de punição. O que recebemos foi uma não-punição, uma não-sanção. Temos um deputado que assediou uma mulher deputada, foi filmado, e vai manusear 4,5 milhões de reais em emendas parlamentares. O que esse gabinete vai ficar fazendo? Trabalhando para um mandato que não existe?”, disse.

A parlamentar contou que se sentiu “devastada” quando houve o resultado, uma decisão que rachou o Conselho. Três integrantes pediram para deixar a comissão. “Eu tenho muita tranquilidade porque sei que sou uma mulher forte, não estou na política a passeio, nunca achei que fosse ser fácil, mas me senti devastada. Eu me expus e, na prática, o deputado Fernando Cury não vai ter um arranhão.”

  • A expectativa da deputada é reverter a decisão no plenário da Assembleia. A votação deve ocorrer a partir do próximo mês. “Não acredito que eles tenham condições de garantir maioria numa coisa tão baixa, em um desrespeito tão grande a tantas de nós. Acho que a impunidade é muito frustrante. Você tem que imaginar que eu sou uma deputada com vídeo do assédio. Imagine o que é você denunciar esse tipo de crime em sua família, no seu trabalho, sem uma prova física.”

    A cena em que Cury é filmado tocando a deputada aconteceu durante a votação do Orçamento do estado, em dezembro do ano passado.

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