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Chapa de centro enfrenta dificuldades até para lançar plataforma política

Grupo que articula uma candidatura para 2022 havia pedido para o MBL elaborar um canal online para debater propostas, mas o movimento desistiu da empreitada

Por Edoardo Ghirotto 11 Maio 2021, 16h37

Em um passo adiante no projeto da construção de uma candidatura de centro na eleição de 2022 , os presidenciáveis que fazem parte desse grupo vinham trabalhando no lançamento de um site que apresentaria propostas para o país e sediaria lives e debates para mantê-los em evidência. A idealização do projeto estava a cargo de representantes do Movimento Brasil Livre (MBL) e do Vem Pra Rua. Tudo caminhava bem, mas o projeto ruiu de forma inesperada no domingo, 9. Sem dar maiores explicações, o MBL informou aos presidenciáveis que não participaria de uma reunião prevista para essa semana e que não iria mais fazer parte da empreitada.

O MBL e o Vem Pra Rua foram chamados a elaborar o site para dar um caráter mais cívico à plataforma e para gerar um engajamento orgânico com a população. Procurado por VEJA, o coordenador nacional do MBL, Renan Santos, afirmou que o grupo não tem “mais tempo a perder” diante da polarização entre o bolsonarismo e o petismo. “Ciro, Lula e Bolsonaro já estão em campanha. Nesse grupo todo mundo quer sentar para discutir democracia ou para montar plataforma. Ninguém está vendo isso, eles querem é ter um candidato. E, se não houver uma candidatura que repudie o Lula e o Bolsonaro igualmente, então não será essa a candidatura que vamos apoiar”, declarou. Santos disse que, por ora, o MBL permanecerá como entusiasta das candidaturas de João Amoêdo (Novo) e do humorista Danilo Gentilli. “São os únicos que atuam nessa linha. Convidamos os demais a também atuarem dessa forma. Se eles não quiserem, nos sentimos mais confortáveis em ficar com o que acreditamos. Antes de tudo, os candidatos devem ir para a rua e dar a cara com um discurso firme, não com discurso molengão.”

Animosidades e Adesão

Desde o começo da tentativa de união do “Polo Democrático”, como foi batizado o grupo de WhatsApp dos presidenciáveis, já se sabia que uma das principais barreiras a serem superadas seria a ambição individual dos integrantes. Como governante do estado mais poderoso, o tucano João Doria (PSDB-SP) não esconde a pretensão de encabeçar a chapa de centro. Dentro do grupo, comenta-se que existe a possibilidade de o tucano sair do PSDB, caso seja derrotado nas prévias do partido, para tentar viabilizar sua candidatura por outra sigla. Ele nega qualquer pretensão nesse sentido.

  • Outro que está distante dos presidenciáveis é o ex-ministro Ciro Gomes (PDT). Os políticos sabiam que o pedetista não cederia em relação à candidatura para a Presidência, mas julgam que mantê-lo por perto ajuda a criar desgastes para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disputará o pleito pelo PT. Ciro se tornou um crítico contumaz do petismo e brigará com Lula pelos votos de setores da esquerda.

    O último nome a ingressar no “Polo Democrático” foi o general Carlos Alberto dos Santos Cruz, que rompeu com o bolsonarismo desde que foi demitido pelo presidente em 2019. Em entrevistas recentes, Santos Cruz deu a entender que aceitaria disputar a Presidência como um candidato do centro político. Além do militar e de Ciro e Doria, fazem parte do grupo o apresentador Luciano Huck (sem partido), o ex-juiz Sergio Moro (sem partido), o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta (DEM) e o empresário João Amoêdo (Novo). Entre eles, Moro já informou ao seu empregador, a consultoria Alvarez & Marsal, que não será candidato ao Palácio do Planalto em 2022, e Huck está negociando a renovação de seu contrato com a Rede Globo.

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