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Bia Kicis: a ascensão e queda de uma das mais fervorosas bolsonaristas

Fiel aliada do presidente, deputada foi retirada de uma das vice-lideranças do governo no Congresso após votar contra o Fundeb na Câmara

Por João Pedroso de Campos - Atualizado em 23 jul 2020, 11h52 - Publicado em 23 jul 2020, 11h36

A retirada da deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) de uma das vice-lideranças do governo no Congresso, decretada por Jair Bolsonaro nesta quarta-feira, 22, é mais um chega pra lá do presidente em um de seus aliados mais fiéis. De procuradora do Distrito Federal a blogueira de direita e terceira deputada federal mais votada do DF em 2018, na onda do bolsonarismo, Bia tinha proximidade com o capitão desde a campanha eleitoral que fez dele presidente da República.

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Eleita pelo PRP, que ela trocou pelo PSL ao tomar posse, Bia Kicis teve papel decisivo na escolha de Paulo Guedes como futuro ministro da Economia do governo Bolsonaro, posição que fez do “posto Ipiranga” o fiador de um candidato pouco familiarizado com o tema e acalmou o mercado diante do avanço do capitão nas pesquisas eleitorais. Foi ela quem intermediou, ao lado do empresário Winston Ling, seu amigo, a sugestão do nome de Guedes a Bolsonaro. O primeiro encontro do namoro entre o futuro presidente e o futuro ministro, em novembro de 2017, em um hotel do Rio de Janeiro, teve as presenças de Bia, Ling, o filho Zero Três, Eduardo Bolsonaro, e o ex-ministro Gustavo Bebianno.

Depois da posse de Bolsonaro e da sua na Câmara, Bia Kicis passou a atuar como uma das mais aguerridas defensoras do presidente no Congresso. Abraçada incondicionalmente às causas de Bolsonaro, chegava a abusar da estridência. Por duas vezes divulgou notícias falsas que faziam coro ao bolsonarismo: uma dizia que um homem morto em um acidente com um pneu havia tido o óbito registrado como Covid-19, em uma estratégia para inflar o número de mortos pela doença, e outra, um vídeo em que um suposto guerrilheiro das FARC ameaçava Bolsonaro e chamava o ex-presidente Lula de “comandante”.

A divulgação de notícias falsas por Bia Kicis, e a sua inclusão entre os investigados no inquérito das fake news do Supremo Tribunal Federal (STF), que a fez ser notificada a prestar depoimento, não chegaram a incomodar Bolsonaro. A decisão de retirá-la da vice-liderança só veio depois que ela votou contra a proposta do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), principal mecanismo de financiamento da educação básica no país, aprovada pela Câmara na terça-feira, 21.

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Embora seu governo tenha dado de ombros ao tema e só na última hora apresentado um texto sobre ele – que foi rejeitado – Bolsonaro fez questão de tratar a aprovação da matéria como uma “vitória” do Palácio do Planalto em conjunto com o Congresso. Os sete deputados que votaram contra o Fundeb, incluindo Bia, eram todos bolsonaristas. Acabaram ficando na chuva, sobretudo depois que o presidente declarou que eles não representavam a posição do governo. Sobrou para a deputada.

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