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A oposição que votou com o governo no voto impresso

PSDB foi um dos destaques da turma que se posicionou a favor da ideia defendida de forma ardorosa por Bolsonaro e seus seguidores mais radicais

Por Camila Nascimento, Eduardo Gonçalves Atualizado em 11 ago 2021, 11h09 - Publicado em 11 ago 2021, 10h22

Na derrota de ontem do voto impresso na Câmara, chamou atenção a quantidade de membros de partidos da oposição que votaram com o governo a favor da instalação do voto impresso. O PSDB foi um dos destaques nesse quesito. Com 32 deputados, o partido teve 14 parlamentares favoráveis à proposta. No caso do Novo, 5 dos 8 integrantes votaram junto com aliados do governo. Um pouco mais que um terço dos deputados do PSB, que tem 31 representantes na Câmara, também se mostrou favorável ao voto impresso. No PV, metade dos seus quatro parlamentares defendeu a pauta bolsonarista. Por fim, dos 25 deputados do PDT, seis decidiram a favor do voto impresso.

Apesar de os líderes governistas terem desde o princípio alardeado que iriam perder, eles trabalharam intensamente na terça-feira, 10, para reverter os votos. Com a votação aberta e nominal, ficaria fácil para o governo identificar os votos contrários e restringir depois a liberação de emendas. E, com a aproximação da eleição no ano que vem, o que mais importa para boa parte dos parlamentares é ter dinheiro para enviar às suas bases.

Por incrível que pareça, o grande revés aplicado ao governo não veio de partidos ditos da oposição, mas do Centrão mais bolsonarista. PP e PL, que comandam os ministérios da Casa Civil com Ciro Nogueira (PP-PI) e Secretaria de Governo com Flávia Arruda (PL-DL), tiveram 36 manifestações contrárias e 18 abstenções ao voto impresso – e só 27 a favor. Como no caso de PECs as ausências contam como votos contrários, isso foi crucial para a derrota da base de Bolsonaro.

Já o PSDB, com dois votos a mais a favor da medida, não surpreendeu muita gente. Não é de agora que parte da bancada tucana está super alinhada com o presidente Jair Bolsonaro – inclusive, é essa mesma ala que faz forte resistência à candidatura do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), adversário declarado do presidente em 2022.

 

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