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Vacina do HPV: por que ela é fundamental

Hoje, reconhecemos que o câncer não é uma doença única e que existem múltiplas causas para o seu desenvolvimento. Muito se fala sobre o impacto do tabagismo, da alimentação e da obesidade, mas não podemos esquecer que um dos fatores de risco mais importantes são as infecções virais. O papilomavírus humano, ou HPV, é um […]

Por Paulo Hoff Atualizado em 30 jul 2020, 21h11 - Publicado em 4 dez 2016, 13h00

Hoje, reconhecemos que o câncer não é uma doença única e que existem múltiplas causas para o seu desenvolvimento. Muito se fala sobre o impacto do tabagismo, da alimentação e da obesidade, mas não podemos esquecer que um dos fatores de risco mais importantes são as infecções virais. O papilomavírus humano, ou HPV, é um dos mais importantes nessas estatísticas, particularmente em nosso meio.

O HPV é um vírus bastante comum, que afeta ricos e pobres no mundo inteiro. Existem mais de 200 variantes da doença, e sua transmissão ocorre pelo contato entre a pele e mucosas de indivíduos. A forma de contágio mais comum é por contato sexual, mas o vírus também pode ser transmitido por contatos de natureza não sexual, e mesmo por via materno-fetal, em casos em que a mãe está contaminada. O sexo oral também é uma importante via de contato de risco para contaminação. Na maioria dos casos, a infecção pelo HPV passa despercebida, já que o organismo infectado consegue controlar a doença, sem que se observem sinais de sua existência.

No entanto, parte das pessoas infectadas não consegue eliminar completamente o vírus e a infecção pelo HPV pode se tornar crônica. Após um período, que pode variar de poucos dias a décadas, podem surgir verrugas, lesões pré-malignas, ou ainda, em casos extremos, câncer. Os tumores mais comumente associados a esse tipo de infecção são o câncer de colo uterino em mulheres, de pênis em homens, e do canal anal e da cavidade oral em ambos os sexos.

Impedir a transmissão do vírus é uma tarefa bastante difícil. Ela pode ser evitada sobretudo por meio da abstinência sexual ; já o uso de preservativos diminui bastante, mas não elimina o risco de contaminação. Dessa forma, o foco da prevenção se direciona ao diagnóstico precoce, preferencialmente de lesões ainda benignas que, se eliminadas, podem evitar o aparecimento do câncer. Por isso, toda mulher sexualmente ativa, independentemente de sua orientação sexual, deve realizar o exame papanicolau (citológico do colo uterino) regularmente, o que pode reduzir drasticamente a incidência e mortalidade pelo câncer de colo uterino. Infelizmente, não temos bons exames preventivos para homens e para os outros tumores causados pelo HPV.

O desenvolvimento de vacinas contra o HPV já começam a transformar positivamente essa realidade. Nem todos os tipos do vírus são passiveis de prevenção, mas os tipos responsáveis por mais de 70% dos tumores malignos estão cobertos pelas vacinas comercialmente disponíveis. Para ser realmente eficaz, deve ser administrada antes que o indivíduo tenha sido exposto ao vírus. Portanto, a recomendação é que pré-adolescentes, adolescentes e adultos jovens, tanto meninas como meninos, sejam vacinados.
No Brasil, o Ministério da Saúde disponibiliza gratuitamente há mais de dois anos a vacina para meninas entre os 9 e 13 anos, e começará em 2017 a vacinar também meninos entre 12 e 13 anos.
Infelizmente, ainda existe muito medo e suspeitas em relação à vacina, o que faz com que nem todas as meninas recebam as doses. Abandonar os tabus e garantir que todos os pré-adolescentes tenham acesso a prevenção é uma maneira simples e eficaz de combater vários tipos de câncer ao mesmo tempo.

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