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Letra de Médico Por Adriana Dias Lopes Orientações médicas e textos de saúde assinados por profissionais de primeira linha do Brasil

O quanto conseguimos interferir na nossa expectativa de vida

Ter o conhecimento exato sobre o impacto de cada fator de risco é fundamental

Por Alvaro Avezum Atualizado em 31 Maio 2021, 12h38 - Publicado em 31 Maio 2021, 12h14

Estimada leitora e prezado leitor, obviamente, a morte faz parte da vida de todos nós. É a certeza maior de nossas vidas. Entretanto, muito pode ser feito para postergarmos este momento inevitável, quando falamos especificamente sobre doenças cardiovasculares (DCV). Em países como o Brasil, as DCV são responsáveis por 42% de todas as mortes, ou seja, em cada 100 mortes, 42 são secundárias principalmente ao infarto agudo do miocárdio – IAM (“ataque cardíaco”) e ao acidente vascular cerebral – AVC (“derrame”).

Assim sendo, conhecimento sólido, robusto e confiável comprovando quais são os fatores associados à ocorrência do IAM e do AVC são fundamentais para aumentarmos nossa expectativa de vida. Entretanto, não basta identificar quais são os fatores. Idealmente, estes fatores devem ser fáceis de identificação e passíveis de modificação. Caso contrário, não conseguiremos fazer as mudanças de estilo de vida e aumentar a duração dela.

Empoderamento da população por meio de conhecimento sobre fatores de risco cardiovascular permite aumento na quantidade e na qualidade de vida. A pessoa empoderada, por meio deste conhecimento, pratica o autocuidado em relação à saúde sendo agente determinante dos próximos anos a serem vividos.

Vejamos então quais são os fatores que quando prevenidos ou tratados apropriadamente permitem redução de 90% de todos os casos de IAM e 90% de todos os casos de AVC. Aproximadamente, contamos com 400 mil casos de IAM e 500 mil casos de AVC no Brasil. Portanto, isto equivale a dizer que poderíamos reduzir para apenas 40 mil casos de IAM e 50 mil casos de AVC por ano em nosso país. Como as taxas de mortalidade associadas ao IAM e ao AVC, apesar de menores que em décadas anteriores, ainda continuam substancialmente altas, o conhecimento destes fatores, sua assimilação e, a imprescindível implementação em nossas vidas, conduzirão aos resultados benéficos de vida mais longa, com menos incapacitação e maior qualidade.

Fator de Risco Proporção de casos de IAM evitados se o fator for prevenido ou corretamente tratado

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Colesterol alterado 49%
Tabagismo 36%
Estresse e depressão 33%
Obesidade abdominal 20%
Hipertensão arterial 18%
Alimentação não saudável 14%
Sedentarismo 12%
Diabetes 10%
Todos os fatores acima* 90%

Fator de Risco Proporção de casos de AVC evitados se o fator for prevenido ou corretamente tratado

Colesterol alterado 27%
Tabagismo 12%
Estresse e depressão 17%
Obesidade abdominal 19%
Hipertensão arterial 48%
Alimentação não saudável 23%
Sedentarismo 36%
Diabetes 4%
Consumo de álcool 6%
Fibrilação atrial/coágulo no coração 9%
Todos os fatores acima* 90%

*Um paciente pode ter mais de um fator de risco.

Com estes dados cientificamente comprovados, podemos interferir favoravelmente em nossas vidas para evitarmos a maioria dos casos de IAM e de AVC e, consequentemente reduzirmos as taxas de mortalidade relacionadas com estes eventos. Estes óbitos precoces devem ser considerados evitáveis, pois estes eventos são passíveis de prevenção em nosso país. Alguns deles envolvem mudança no estilo de vida, que na verdade deve ser visto como retorno ao estilo de vida saudável e normal que devemos adotar ao longo da vida independente da idade, e outros incluem tratamento medicamentoso a ser discutido com o médico responsável pelo paciente em questão. Então, vamos viver mais e melhor?

Letra de médico Álvaro Avezum
./Divulgação
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