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José Casado Por José Casado Informação e análise

Lula adverte PT que Bolsonaro é presidente e pode se recuperar

"Quem está sentado na cadeira de presidente tem poder", tem repetido aos petistas, eloquente sobre a própria reeleição, em 2006, depois da crise do Mensalão

Por José Casado Atualizado em 4 out 2021, 04h56 - Publicado em 4 out 2021, 08h00

Desde julho, seis em cada dez brasileiros repetem em pesquisas eleitorais que não votariam “de jeito nenhum” em Jair Bolsonaro para presidente em 2022. Essa rejeição recorde tem animado a oposição de todos os matizes e estimulado a multiplicação da oferta de pré-candidaturas.

Sonhar é grátis, mas na vida real é temerário decretar a falência eleitoral de Bolsonaro um ano antes do primeiro turno.

Lula, líder nas pesquisas, tem se preocupado em recomendar sobriedade a dirigentes petistas entusiasmados com a ideia da “mão na taça”, a perspectiva de vitória antecipada numa disputa presidencial ainda longínqua. Ontem, insistiu na advertência de cautela em reunião com governadores e parlamentares do PT nordestino.

Ele acha que o adversário pode se recuperar. E tem bons motivos. O mais óbvio é o desejo de um duelo eleitoral com Bolsonaro. É um adversário dos sonhos para qualquer um da oposição, porque na conta dele cabe quase tudo — desde a má gestão e a corrupção na Saúde na pandemia até o aumento da pobreza, do desemprego, da inflação, dos juros e, no verão, de um eventual racionamento de energia.

Outra razão, em contraste, é a experiência. “Quem está sentado na cadeira de presidente nunca está morto na política, tem poder para fazer muita coisa”, tem repetido aos petistas, sem precisar ser muito eloquente sobre o próprio aprendizado em 2005: escapou do impeachment na crise do Mensalão, foi à luta com a caneta e o Diário Oficial na mão e, no ano seguinte, se reelegeu presidente.

As pesquisas registram estabilidade na liderança de Lula na disputa presidencial. Três semanas atrás, no Datafolha, tinha 44% do total de votos, contra 26% de Bolsonaro. Na anterior, de julho, estava com 46% e o presidente com 25%. Entre as duas sondagens, a distância entre eles caiu três pontos.

Lula pode ser criticado por muita coisa, menos por inocência ou ingenuidade.

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