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Jorge Pontes Jorge Pontes foi delegado da Polícia Federal e é formado pela FBI National Academy. Foi membro eleito do Comitê Executivo da Interpol em Lyon, França, e é co-autor do livro Crime.Gov - Quando Corrupção e Governo se Misturam.

O clube anti-Lava Jato cada dia recebe mais sócios

Vemos agora, com clareza, um movimento de todos os campos ideológicos contra a operação de Curitiba

Por Jorge Pontes - 3 jul 2020, 18h09

Desde que a Lava Jato saiu às ruas em sua primeira fase, no agora longínquo mês de março de 2014, houve reação de quadrantes do establishment e do Poder, que se sentiram ameaçados ou impactados pela operação.

De lá pra cá, esse “Clube dos Inimigos da Lava Jato” só vem aumentando. E a adesão ocorre na proporção em que a operação segue cumprindo o seu papel de atingir todos os espectros – partidários e ideológicos – da criminalidade institucionalizada que sequestrou nosso país.

Em seus primórdios, o grupo que atacava a Lava Jato se resumia aos petistas e a turma ligada aos partidos do campo da esquerda. A operação foi caminhando e, quando alvejou em cheio Aécio e Serra, a tucanada também entrou de sócia no clube. A mesma situação se repetiu quando foi a hora de Michel Temer – e do PMDB – serem atingidos pela raid.

Enfim, a Lava Jato chegou em 2018 com um conjunto bastante eclético de oponentes. Isso sem falar nos grupos empresariais que, do outro lado do balcão, se locupletavam com as fraudes, além de outras estruturas, tanto da imprensa como de parte da advocacia criminalista, que funcionavam, respectivamente, como beiradeiros e beneficiários indiretos dos esquemas.

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Neste momento, com o governo do presidente Bolsonaro (aparentemente por conta do envolvimento de seus filhos com malfeitos) abandonando sua promessa de campanha, no que tange ao combate implacável à corrupção, e encarando a Lava Jato, e alguns de seus principais atores e personagens, como adversários políticos, o clube ganha ainda mais reforços em seu corpo de associados.

Vemos agora, com clareza, um movimento de todos os campos ideológicos – incluindo os dois extremos – contra a operação de Curitiba, que teve, e ainda tem – inequivocamente – enorme e real poder de transformação.

Seus detratores, desprovidos de moral ou de qualquer senso crítico, atacam a operação. E assim o fazem todos que de alguma forma levavam alguma vantagem com os desvios – ou o estado de coisas – que ela combateu. Já se observam cargas em desfavor da força tarefa de Curitiba e contra procuradores da República como Deltan Dallagnol.

A corrupção não pode ser enfrentada com viés ideológico, pois o crime e os seus operadores não tem partido nem ideologia. Quem hoje levanta bandeiras contra a Lava Jato, atua contra o Brasil e em prol dessa alta criminalidade, mesmo que involuntariamente.

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