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Jorge Pontes Jorge Pontes foi delegado da Polícia Federal e é formado pela FBI National Academy. Foi membro eleito do Comitê Executivo da Interpol em Lyon, França, e é co-autor do livro Crime.Gov - Quando Corrupção e Governo se Misturam.

A terceira via virá forte em 2022

Lula e Bolsonaro: cada um tem características capazes de aprofundar o nosso abismo como nação

Por Jorge Pontes Atualizado em 8 jun 2021, 18h13 - Publicado em 8 jun 2021, 17h44

A sociedade brasileira assiste, tomada de pavor, à possibilidade de termos, no segundo turno do pleito de 2022, um clash entre Bolsonaro e Lula, na disputa do Palácio do Planalto.

Nada poderia ser tão danoso do que experimentarmos um looping, um círculo vicioso de figuras que são causa e consequência entre si, alternando-se no poder, e aprofundando todas as crises, mazelas, divisionismos e fraquezas institucionais que acometem o Brasil ultimamente.

Bolsonaro veio ao cenário em 2018, apenas em razão do estado de obnubilação de grande parte do eleitorado, provocado pelo trauma dos desmandos e da corrupção sistêmica implantada pelos 16 anos de lulopetismo, e pelos desvios que o projeto de Lula operou na própria democracia, com indeléveis escândalos de mensalões e petrolões, que assistimos em sequência, graças às inúmeras e redentoras fases da hoje saudosa Operação Lava Jato.

Lula agora ressurge como opção para 2022, muito por conta da insensibilidade de Bolsonaro no trato da pandemia do Covid-19, de sua omissão em relação à destruição da Amazônia, e, principalmente, por conta do retrocesso que o presidente operou no enfrentamento à corrupção sistêmica, que paradoxalmente foi sua principal plataforma em 2018.

Cada um é amoral em seu respectivo quadrado, à sua maneira; e cada qual tem fraquezas horrendas, e características próprias capazes de aprofundar o nosso abismo como nação.

Guardam em comum o negacionismo crônico, o messianismo explícito e o populismo barato, com os quais arrastam hordas de seguidores fanáticos.

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Enfim, um é pai do outro, numa paradoxal linha do tempo de menos de quatro anos decorridos. São duas ruindades de primeira grandeza que definitivamente não merecemos.

Mas é exatamente esse desastre que ambos representam, a desolação com a qual nos ameaçam, que promoverá uma demanda quase que desesperada, da nossa sociedade, por uma terceira via serena, equilibrada e que retrate a verdadeira alternativa ao monstro de duas cabeças que se descortina no cenário de uma final entre Lula e Bolsonaro.

É o dragão do bolsopetismo que nos levará a querer, com todas as nossas forças, o caminho do meio, a sentir a necessidade premente do aparecimento do nome do equilíbrio e do consenso.

A sociedade há de identificar as imposturas de sempre; os inúmeros “pseudos-terceiras vias” que já se apresentam no cenário eleitoral.

E quanto mais demorar a surgir esse nome, mais iremos dele precisar; quanto mais tarde surgir, quanto maior o suspense, melhor ele será recebido e mais adesão promoverá em torno de si.

A terceira via se apresentará na hora certa. E o Brasil necessita de uma opção viável nas próximas eleições presidenciais, como os desertos precisam da chuva.

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