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Predadores Assassinos: furacão, inundação – e, ainda por cima, crocodilos

Eficiente, o thriller/terror do diretor de “Viagem Maldita” é bem-feitinho, dá bons sustos e não estica o assunto

Por Isabela Boscov - 26 set 2019, 16h45

Haley está brigada com o pai mas, quando é avisada de que ele não atende o celular, não hesita em deixar o treino de natação e dirigir duas horas até a casa dele, nos pântanos da Flórida: um furacão vai bater a qualquer momento na região com ventos de quase 200 quilômetros por hora, os diques vão se romper e tudo vai ser inundado; quer apostar que aquele teimoso não atendeu à ordem de evacuação? Turrona como ele, Haley fura o bloqueio da polícia e de fato encontra o pai, em mau estado, no porão nojentésimo da casa. E encontra também algo mais: Flórida + inundação = crocodilos à solta. Que tal passar 90 minutos num espaço confinado de um metro e meio de altura, com as saídas bloqueadas, a água subindo e bichões enormes e cheios de dentes passeando lá dentro? Predadores Assassinos, em cartaz nos cinemas, é um exemplar bem decente do thriller/terror de causas naturais, em que os vilões – tempestades, tornados, criaturas ferozes – nada têm de pessoal contra os protagonistas; apenas estão fazendo aquilo que é da natureza deles fazer. Como quase sempre nesse gênero (e não só nele), o roteiro depende de os personagens fazerem várias burradas (por que ir atrás de um barco quando bastaria subir as escadas do sobrado?). Mas não vou criticar, porque nunca estive no meio de um furacão nem muito menos frente a frente com um réptil agressivo de cinco metros de comprimento arrematados por uma das mandíbulas mais poderosas do mundo, e sabe-se lá o que qualquer um faria nessa situação.

Predadores Assassinos
Paramount/Divulgação

Mas ponto para o diretor Alexandre Aja por não enfiar na história crocodilos super-inteligentes, nem fazê-los voar: muitos degraus acima de Sharknado, este Predadores Assassinos tem alguma preocupação com credibilidade e verossimilhança, é bem produzido por Sam Raimi em locações – pasme – na Sérvia, dá bons sustos e não enche linguiça. A inglesa Kaya Scodelario (de Maze Runner), além disso, acha espaço para uma boa interpretação como Haley, e Barry Pepper é eficiente como pai. Menção honrosa, aliás, para a cachorrinha Sugar, que pelo nome original nos créditos – Cso Cso – deve ser sérvia de nascimento. O catalão Alexandre Aja volta assim ao bom patamar do seu trabalho na década passada, quando fez Alta Tensão (2003) e Viagem Maldita (2006), antes de queimar seu filme com o horroroso Piranha 3D (2010).


Trailer

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PREDADORES ASSASSINOS
(Crawl)
Estados Unidos/Sérvia/Canadá, 2019
Direção: Alexandre Aja
Com Kaya Scodelario, Barry Pepper, Morfydd Clark, Ross Anderson
Distribuição: Paramount

 

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