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“O Touro Ferdinando”: 900 quilos de gentileza

Em vídeo, o brasileiro Carlos Saldanha conta como foi a longa jornada do personagem até a animação que estreia hoje

Foi só ver aquelas orelhinhas rosadas por dentro e tão expressivas, balançando de felicidade ou murchando de preocupação, e eu me apaixonei perdidamente por Ferdinando, o bezerro que não quer saber de brigar com os outros filhotes de touro e prefere cheirar as flores. Na verdade, a paixão já vinha de longe, de quando eu era pequena e os cinemas de bairro ainda passavam montes de curtas-metragens emendados para divertir a criançada, no fim de semana, e fiquei besta vendo Ferdinando, o Touro, o curta de oito minutos – em cópia gasta, riscada e cheia de chiados – que Walt Disney produzira em 1938. Como eu, também o brasileiro Carlos Saldanha, de A Era do Gelo e Rio, adorava o personagem. E este seu longa-metragem com ele transborda essa afeição. Tecnicamente, é lindo, com paisagens e cenários espanhóis (do campo com olivais à medieval cidade de Ronda e o trânsito de Madri) reproduzidos com cores fiéis e banhados de sol. E a história é tão inocente quanto dilacerante: enlouquecido de tristeza com a morte do pai numa tourada, o pequeno Ferdinando foge, quase morre, e então ganha abrigo numa chácara de flores, protegido pela menina Nina e o pai dela, Juan. E cresce – e como cresce – feliz, até que um mal-entendido o conduz de novo à temida fazenda de touros de sua infância, e dali à arena, para enfrentar um matador.

Esse medo terrível, o de vir a ser arrancado de um mundo perfeito, é algo que quase toda criança experimenta, e que quase todo adulto guarda em algum canto seu depois. É um sentimento poderoso, que Saldanha aproveita muito bem, assim como as cenas de ação – sua especialidade. Às vezes, a história é esticada um pouco além da conta; o conto original em que o curta de Disney e o longa de Saldanha se baseiam é muito curtinho, e o diretor teve que inventar muito enredo para preenchê-lo. Mas, ora, é uma graça.

Quer ver o próprio Saldanha explicando tudo? Então clique no vídeo abaixo para ver a entrevista que fiz com ele em abril, quando ele deu uma passada por São Paulo para mostrar as primeiras sequências prontas do filme:


Entrevista


Trailer

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