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Defesa de brigadistas de Alter afirma que investigação foi tendenciosa

Polícia Civil do Pará indiciou cinco brigadistas voluntários em caso que investiga os incêndios em Alter do Chão

Por Jennifer Ann Thomas - Atualizado em 20 dez 2019, 14h40 - Publicado em 20 dez 2019, 14h23

A Polícia Civil do Pará indiciou os quatro brigadistas voluntários pelos incêndios que atingiram a Área de Proteção Ambiental de Alter do Chão em setembro deste ano.

O delegado Waldir Freire Cardoso apontou como responsáveis pelas queimadas os brigadistas Daniel Gutierrez Govino, João Victor Pereira Romano, Marcelo Aron Cwerner e Gustavo de Almeida Fernandes. Junto a eles, que foram presos no mês passado, Ronnis Repolho Blair, conhecido como “Cebola”, que foi treinado pela brigada, mas não a integra, também foi indiciado.

De acordo com o advogado de Govino e Cwerner, Augusto de Arruda Botelho, a defesa recebeu com surpresa e indignação o término da investigação. “Claramente, hoje podemos dizer que a investigação foi direcionada propositalmente para prejudicar os brigadistas. Não é uma investigação isenta e nunca foi. Está mais do que comprovado que não é isento. Há outros interesses e estes sim precisam ser investigados”, declarou.

Segundo Botelho, o indiciamento é um elemento a mais na conjuntura. “A questão é terminar a investigação. O inquérito foi finalizado sem a realização de perícia. Não há perícia para dizer que o fogo foi causado por gasolina, raio, ou qualquer outra coisa. Faltou o mais básico da investigação, que é a perícia”, disse.

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“A defesa aguarda uma manifestação serena e responsável do Ministério Público, que diga que a investigação está longe de terminar. É de total interesse dos brigadistas, que dedicam sua vida ao meio ambiente, saber quem são os verdadeiros responsáveis por essas queimadas”, afirmou Botelho.

O Projeto Aliança, rede advogados que atua na defesa dos brigadistas e das entidades citadas no caso, divulgou uma nota oficial:

A notícia do indiciamento dos integrantes da Brigada de Alter do Chão surpreende a Defesa e representa uma enorme injustiça. O indiciamento é fruto de ilegalidades e, infelizmente, indica direcionamento da investigação. Encerraram-se as investigações de maneira atropelada, sem a realização de perícia técnica, atualmente em curso na Policia Federal, para apurar em que circunstâncias efetivamente ocorreu o incêndio. Ignorou-se também pedido para que fossem ouvidas testemunhas indicadas pelos advogados dos brigadistas à autoridade policial há mais de duas semanas. Esta precipitação atenta contra a apuração correta dos fatos. O indiciamento foi baseado em ilações extraídas de depoimentos meramente especulativos sem nenhuma prova atacando aqueles que dedicaram as suas vidas a combater incêndios voluntariamente na região amazônica.

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