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Felipe Moura Brasil Por Blog Análises irreverentes dos fatos essenciais de política e cultura no Brasil e no resto do mundo, com base na regra de Lima Barreto: "Troça e simplesmente troça, para que tudo caia pelo ridículo".

Entrevista com nosso herói Marco Rossi, de 17 anos, que desmascarou palestrantes petistas na PUC de Goiás: “Não senti nenhum prazer, mas fiz e faria de novo por ser o certo”

Bati um papo pelo chat do Facebook com Marco Rossi Medeiros, o jovem de 17 anos que virou nosso herói na internet após desmascarar palestrantes petistas de CUT, CTB, MST e CNBB durante o seminário embusteiro A Reforma política que o Brasil precisa, realizado na PUC de Goiás em 24 de abril. O vídeo sensacional da intervenção de Marco está AQUI NO BLOG para […]

Por Felipe Moura Brasil - Atualizado em 31 jul 2020, 01h30 - Publicado em 1 Maio 2015, 21h27

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Bati um papo pelo chat do Facebook com Marco Rossi Medeiros, o jovem de 17 anos que virou nosso herói na internet após desmascarar palestrantes petistas de CUT, CTB, MST e CNBB durante o seminário embusteiro A Reforma política que o Brasil precisa, realizado na PUC de Goiás em 24 de abril.

O vídeo sensacional da intervenção de Marco está AQUI NO BLOG para quem não viu.

*****

FMB: Quando você ficou sabendo do seminário, o que pensou a respeito?

MARCO: De imediato, perguntei-me em que nível o reitor estava envolvido com aquilo. Que o evento era em si mesmo algo errado já era algo tão claro pelo que estudei, que nem coloquei isso em dúvida.

FMB: Qual é o maior erro a se destacar no evento, na sua opinião?

MARCO: Eu me encontro dividido entre se o maior erro foi o reitor, enquanto católico e de uma universidade católica, ter permitido, ou o secretário político da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Daniel Seidel, ser um dos organizadores ou palestrantes.

FMB: Você planejou a sua intervenção?

MARCO: Pessoalmente, sim. Não tive controle algum sobre a atitude de qualquer um dos meus colegas e amigos. Eu resolvi interromper o palestrante da maneira como fiz, mas porque o reitor não estava lá para poder me responder, nem mesmo estavam outros alunos da universidade. Estavam praticamente apenas sindicalistas e outros já alinhados.

Felipe, uma informação importante, porém, é que eu não sou aluno da PUC-GO. Duas amigas minhas são, inclusive a que filmou, e foi ela quem me informou do evento (que era aberto ao público).

Eu fui para lá como membro da Igreja Católica, não como aluno.

FMB: E você combinou com ela que filmasse?

MARCO: Eu avisei a alguns amigos, a maioria alunos do Olavo de Carvalho, que eu iria de qualquer maneira e que seria bom se alguém filmasse. Mas acredito que não pedi diretamente para ninguém. Quem filmou, filmou por que quis.

FMB: Você ficou nervoso na hora em que começou a falar?

MARCO: Imediatamente antes da intervenção eu fiz uma oração. Pensei que iria ficar nervoso mas não fiquei.

Ah, e se você quiser, temos o vídeo completo da palestra. Não sei se seria útil, tem muito blá-blá-blá…

FMB: Seria inútil, mas obrigado.

MARCO: Eu imaginei, kkkkk.

FMB: No vídeo, fica a impressão de que tentaram dissuadi-lo, calá-lo e até agredi-lo. Em algum momento, alguém rebateu os seus argumentos?

MARCO: O secretário se calou por completo e se recusou a dar qualquer explicação. O único “contra-argumento” (se podemos chamar dessa maneira) foi de um sujeito de camisa branca com colar típico de pai-de-santo que, em dado momento, começou a gritar “Eu sou católico!” e em outro “O Papa apoia!”.

FMB: O Papa apoia o quê?

MARCO: Não tenho a menor ideia. O Papa apoia o evento da PUC-GO? O Papa apoia a reforma política? O Papa apoia o comunismo? Não sei o que ele quis dizer com isso.

FMB: Eu sei. O Papa deles é o Lula.

MARCO: Pois você matou a charada.

Captura de Tela 2015-04-30 às 03.01.54FMB: Quem é a senhora que lhe deu um tapa?

MARCO: Cristina Macedo. Ela aparentemente coordena um grupo de feministas de Goiânia, e era mãe de uma das moças que estavam na bancada.

FMB: Alguns leitores que viram o vídeo acreditam que você acabou chamando uma outra senhora que o intimidava de “vagabunda”. Foi isso mesmo? Ou “Vai pra Cuba”?

MARCO: Dessa vez foi vagabunda mesmo. Pena que não tinham seguranças do Congresso Nacional para me expulsar de lá.

FMB: O que ela estava lhe dizendo?

MARCO: Ela começou a me chamar de “moleque, desrespeitoso” ad infinitum e pediu para que eu a agredisse fisicamente.

Ainda sobre o “vagabunda”, foi a única coisa que me pesou na consciência depois. Todos os adjetivos que eu dirigi a essa senhora (que é professora da PUC) foram qualificativos, ou seja, correspondiam cientificamente ao que ela era: “Defensora de traficantes, amante de ditaduras, amante de genocida”.

Talvez a maior prova de que nada do que eu disse foi mentira é que a amiga dela, a que me agrediu, só saiu de si no momento que eu chamei a primeira de vagabunda.

FMB: Comunista é assim: tem preconceito contra vagabundas, não contra genocidas.

MARCO: É isso mesmo.

FMB: O que aconteceu depois?

MARCO: Ela tentou avançar para cima de mim, tentou arranhar minha cara, mas não conseguiu. Dois homens se colocaram entre ela e eu, e me agarraram para tentar me levar para fora. No processo, ela conseguiu me dar um tapa.

Consegui me soltar dos militantes, enquanto o segurança (ou amigo, como disseram) do secretário da CNBB tentou se aproximar. Esse sujeito era bem grande, e era policial. Dele, provavelmente eu não teria conseguido me livrar, mas, uma vez solto, dois amigos (Zé Ricardo e Lucas) se colocaram entre mim e os militantes, de modo que pude reabotoar minha camiseta que tinha se aberto no processo.

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FMB: O reitor se manifestou sobre o incidente?

MARCO: Não há nenhuma nota a respeito em lugar algum. Eu não procurei o reitor em particular e não pretendo procurá-lo antes de conversar com o bispo.

FMB: Que bispo?

MARCO: O bispo auxiliar de Goiânia, Dom Levi.

FMB: Você se sentiu bem após desmascarar os comunistas?

MARCO: Não. Não senti nenhum prazer no ato, tudo me foi tremendamente desagradável, a situação em si me soava absurda e arbitrária, isso não precisava estar acontecendo. A Igreja Católica não precisava estar acolhendo dentro das faculdades (e igrejas também) os seus principais inimigos, os seus principais perseguidores em 2.000 anos de cristianismo.

Mas fiz e faria de novo por ser o certo.

FMB: Quem abriu seus olhos para essa realidade e o estudo da alta cultura?

MARCO: O filósofo Olavo de Carvalho.

FMB: Acho que já ouvi falar…

MARCO: Acho também que muita gente ouviu falar dele graças a você.

FMB: Muitos me odeiam por isso, sabe como é. Mas “fiz e faria de novo por ser o certo”.

Dias depois, você virou um herói na internet. Sua atitude representou e inspirou muita gente que não suporta o adestramento ideológico e a pregação comunista no sistema de ensino brasileiro.

Onde você estuda, o que pensam de você?

MARCO: Meus colegas sempre me apoiaram. Nunca entendi as reclamações de pessoas que dizem sofrer bullying de puxa-saco de professores. Naturalmente sempre existe um grupo de puxa-sacos, mas é minoritário.

Se você estuda esses assuntos e desmascara os professores em toda oportunidade, em breve acontecerá com outros o que acontecia comigo, que é de ter colegas de sala que a cada novo tópico se viravam para mim e perguntavam: “O que o professor está falando é verdade?”

FMB: Isto é ótimo. Um estímulo a buscar conhecimento para além da sala de aula e a checar as informações recebidas.

Você acredita já ter encontrado a sua vocação? Tem planos para ela?

MARCO: Planos tenho aos montes, quem não tem? Mas justamente por termos tido negado o contato com a alta cultura, por termos sofrido este abuso infantil que chamam de ensino escolar obrigatório, a cada dia tomo conhecimento de faixas inteiras da realidade que eu ignorava solenemente, nem suspeitando que existia. É muito difícil escolher algo quando não se sabe o que existe para ser escolhido.

A começar pela faixa gramatical como dá para perceber. Hoje estudo gramática por conta própria, a portuguesa e a latina. Não me lembro de conjugar um verbo na minha vida, e sempre estudei nas melhores escolas da cidade.

FMB: Em homenagem aos comunistas, vamos então conjugar o verbo desmascarar:

Eu desmascaro, tu desmascaras, ele desmascara…

MARCO: Hahaha. Isso é algo que sempre me motiva, odeio pensar que faço mal às pessoas. Mas quando lembro do mal que eles fazem a todos nós, nas escolas e faculdades, essa lembrança me ajuda a fazer o certo.

FMB: Última pergunta (eu acho): como sua família encarou a repercussão?

MARCO: Um misto de orgulho e temor, temor pela minha vida.

FMB: Bem-vindo ao clube, então. Família boa, só muda o endereço.

MARCO: Aliás, acho que esse meu último comentário ficou bastante clichê. A conjugação estava melhor, haha.

FMB: Ficou ótimo. Eu me identifiquei horrores.

MARCO: Perfeito, então.

FMB: Minha mãe vai rir ao ler.

MARCO: Espero que a minha também.

FMB: Obrigado pela entrevista e parabéns, meu caro. Como escrevi no blog: você foi um Marco na história da PUC.

MARCO: Eu que agradeço, pela entrevista e por tudo o que você tem feito na VEJA e na Editora Record.

FMB: Vamos com tudo. Abração.

MARCO: Abraço, fique com Deus.

* Assista no blog:
VÍDEO SENSACIONAL: Estudante desmascara palestrantes petistas na PUC de Goiás (e é agredido, claro)

Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

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