Assine VEJA a partir de R$ 9,90/mês.
Felipe Moura Brasil Por Blog Análises irreverentes dos fatos essenciais de política e cultura no Brasil e no resto do mundo, com base na regra de Lima Barreto: "Troça e simplesmente troça, para que tudo caia pelo ridículo".

Aécio em vídeo: Comissão vai a Londres ouvir delator que acusa CGU de favorecer Dilma Rousseff nas eleições. Procurador também pediu ao TCU para mandar emissário

A tucanada ouviu o nosso alô. Aécio Neves (PSDB-MG) anunciou nesta terça-feira no Senado que uma comissão especial suprapartidária irá a Londres ouvir Jonathan David Taylor, o ex-executivo da SBM Offshore que acusa a Controladoria-Geral da União (CGU) de ter abafado até depois das eleições, para favorecer a campanha de Dilma Rousseff, a denúncia de pagamento de US$ 139 […]

Por Felipe Moura Brasil - Atualizado em 11 fev 2017, 13h11 - Publicado em 15 abr 2015, 00h29

A tucanada ouviu o nosso alô.

Aécio Neves (PSDB-MG) anunciou nesta terça-feira no Senado que uma comissão especial suprapartidária irá a Londres ouvir Jonathan David Taylor, o ex-executivo da SBM Offshore que acusa a Controladoria-Geral da União (CGU) de ter abafado até depois das eleições, para favorecer a campanha de Dilma Rousseff, a denúncia de pagamento de US$ 139 milhões em propinas por meio de contratos da Petrobras, como comentei na TVeja de manhã.

Os tucanos não foram os únicos a tomar providências.

Júlio Marcelo de Oliveira, procurador junto ao Tribunal de Contas da União, requereu ao TCU que tome para si a investigação do escândalo da SBM, que doou ilegalmente 300 mil dólares à campanha de Dilma, como denunciou o ex-gerente Pedro Barusco na CPI da Petrobras.

Publicidade

O procurador pede, também, que o TCU mande um emissário a Londres, para ouvir Taylor, ou que o faça vir ao Brasil.

Eu gosto assim. Sem moleza para o PT.

TRANSCRIÇÃO:

Publicidade

Captura de Tela 2015-04-14 às 08.58.42“Hoje, um importante jornal de circulação nacional traz na sua primeira página uma gravíssima ou mais uma gravíssima denúncia da utilização do Estado nacional em benefício de um projeto de poder. Trata-se de matéria da Folha de S. Paulo em que o senhor Jonathan David Taylor declara que em 27 de agosto do ano passado, do ano de 2014, entregou à CGU um conjunto de documentos que atestavam o pagamento de 139 milhões de reais em propinas a dirigentes da Petrobras, segundo esse dirigente dessa empresa holandesa conhecida aqui como SBM Offshore. Já havia sido feito essa denúncia junto às autoridades holandesas. Em 27 de agosto todos os documentos foram entregues à CGU e apenas em novembro foi aberta uma investigação por parte desse importante órgão de controle. Abro aspas para Taylor:

‘A única conclusão que posso tirar é que queriam proteger o Partido dos Trabalhadores e a presidente Dilma ao atrasar o anúncio dessas investigações para evitar impacto negativo nas eleições.’

Nós, senhor presidente, a cada semana nos assustamos, se é que ainda temos essa capacidade, com as denúncias sucessivas que chegam. Há poucas semanas, o Tribunal de Contas [da União – TCU] atesta que a centenária empresa de Correio e Telégrafos, como havíamos denunciado, agiu de forma ilegal durante a campanha eleitoral. Quando se fala de recursos públicos, também as denúncias se sucedem a cada dia. Eu quero aqui informar que, nesse instante, por iniciativa do vice-presidente da CPI da Câmara dos deputados que investiga as denúncias de corrupção na Petrobras, Antonio Imbassahy, em colaboração com o líder do meu partido na Câmara Federal, Carlos Sampaio, acabam de aprovar nesse instante um requerimento que cria uma comissão especial de 5 membros, suprapartidária como deve ser, para irem a Londres ouvir o sr. Jonathan David Taylor na condição de representantes e portanto com poderes da Comissão Parlamentar I, já que ele alega por questões de segurança impossibilidade de vir ao Brasil.

Se este fosse, sr. presidente, um fato isolado, único, nesse processo que nos assombra a todos os instantes pós-eleição talvez não tivesse a relevância que a ele precisamos dar. O que nós estamos percebendo é que jamais antes na história desse país ao Estado nacional se colocar de joelhos a serviço de um projeto de poder que hoje é rejeitado por ampla maioria da sociedade brasileira. Nós somos minoria nesta Casa, presidente Renan, mas exerceremos a nossa função, mesmo como minoria, com coragem, com galhardia e com altivez, e faremos com que todas as denúncias que aqui cheguem sejam investigadas e os responsáveis exemplarmente punidos.

Publicidade

Pois se comprovada essa denúncia – e não faço aqui ainda juízo de valor sobre ela – mas os antecedentes pelo menos nos levam a investigá-la, mas terá cometido a CGU crime de prevaricação por ter guardado, omitido da sociedade brasileira, do conhecimento dos brasileiros, denúncias comprobatórias de tamanha gravidade que só veio veio trazer a público no momento em que as urnas se fecharam. Portanto, meus cumprimentos à coragem dos nossos companheiros da CPI e aqui desta tribuna: estaremos sempre prontos para denunciar e cobrar daqueles que de forma indevida e alguns momentos criminosas se utilizaram do dinheiro público para garantir a continuidade de um projeto de poder que absolutamente nada mais tem a oferecer ao Brasil e aos brasileiros.

Muito obrigado, sr. presidente.”

* Veja também aqui no blog:
O povo acordou o PSDB? Ação penal contra Dilma pode levar ao impeachment

** Entenda como a CGU perdeu a moral:
PT quer acobertar crimes do petrolão na CGU. Jurista e procuradores repudiam o golpe
O golpe do PT: Empreiteiros desistem de delação premiada para negociar acordos de leniência, diz procurador

Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

Siga no Twitter, no Facebook e na Fan Page.

Publicidade