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Felipe Moura Brasil Por Blog Análises irreverentes dos fatos essenciais de política e cultura no Brasil e no resto do mundo, com base na regra de Lima Barreto: "Troça e simplesmente troça, para que tudo caia pelo ridículo".

“Politização” é mascarar golpes para evitar queda de Dilma Rousseff. Cúmplices: TCU, TSE, PMDB, oposição e jornais

O noticiário desta sexta-feira mostra a podridão do Brasil naquilo que conta e naquilo que omite. TCU, TSE, PMDB, oposição e portais de notícias parecem unidos na tentativa de aliviar a barra de Dilma Rousseff para evitar a sua queda. Os portais dos principais jornais do país ignoram a reunião clandestina de Dilma com o presidente do […]

Por Felipe Moura Brasil Atualizado em 31 jul 2020, 00h58 - Publicado em 10 jul 2015, 17h00

129_2111-dilmamasO noticiário desta sexta-feira mostra a podridão do Brasil naquilo que conta e naquilo que omite.

TCU, TSE, PMDB, oposição e portais de notícias parecem unidos na tentativa de aliviar a barra de Dilma Rousseff para evitar a sua queda.

Os portais dos principais jornais do país ignoram a reunião clandestina de Dilma com o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, em Portugal, para melar a Operação Lava Jato, o julgamento das pedaladas fiscais no TCU (o advogado administrativo de Dilma, Luís Inácio Adams, já disse que poderá recorrer ao Supremo em caso de derrota do governo) e o impeachment.

A oposição – até 3 horas da tarde – não se pronunciou a respeito, em mais uma prova de cumplicidade, seja ela movida por lassidão, indiferença, lerdeza, ideologia, medo do STF ou alívio com o golpe que a exime de assumir o país.

Seis dos nove ministros do TCU – Aroldo Cedraz, Raimundo Carreiro, Benjamin Zymler, José Múcio, Bruno Dantas e Vital do Rêgo – se reuniram na quarta-feira para combinar a estratégia de defesa de Dilma, segundo O Globo, “preocupados com a politização do julgamento, diante da possibilidade de verem a decisão ser usada para embasar um pedido de impeachment da presidente”. Nenhum deles se pronunciou sobre a “politização” da Justiça na reunião clandestina na cidade do Porto. Nenhum vai admitir que “politização” é mascarar golpes para evitar a queda de Dilma Rousseff.

Monica Bergamo, em mais uma coluna de vitimização do PT, reproduziu as “palavras de um magistrado considerado crítico ao governo”, para quem uma decisão “tão drástica” como a cassação de Dilma no TSE, “tomada por um colegiado de apenas sete juízes”, poderia ser encarada como um “golpe paraguaio”. Sobre o “golpe paraguaio” cometido por Dilma e Lewandowski em Portugal, duvido que a coluna fale amanhã, a não ser que traga mais um magistrado anônimo (ou José Eduardo Cardozo, tanto faz) para minimizá-lo, acusando a oposição de teorias conspiratórias.

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Já o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, disse na quinta-feira que “o PMDB, a cada dia que passa, está mais distante do PT e nós esperamos que fique a cada hora mais distante e, de preferência, não volte mais a estar junto com o PT”, mas a revista Época, embora informe que peemedebistas extraordinariamente “hesitam em assumir cargos no enfraquecido governo de Dilma”, sentencia também que o PMDB vai deixar a petista sangrando até 2018.

Em outras palavras: pelos mais variados motivos, PMDB, oposição, jornais e certos ministros do TCU e do TSE se unem, na prática, para deixar Dilma impune, enquanto o Brasil fica sangrando por mais três anos.

O país apodrece avermelhado.

16 de agosto

Nem de seus cúmplices

Felipe Moura Brasil ⎯ http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil

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