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Alfabetização na Base Nacional Comum Curricular

Ao que tudo indica nesta quinta-feira, o país assistirá ao ridículo espetáculo da “votação” da proposta da Base Nacional Curricular Comum.  

As últimas informações sobre a questão da alfabetização na Base Nacional Curricular Comum constituem um atestado da indigência intelectual de nossos governantes e da sua inépcia na condução do tema.

No Brasil, os insignes membros do Conselho Nacional de Educação, os luminares do MEC e autointitulados especialistas discutem se a alfabetização deve ser concluída no segundo ou terceiro ano. Invocam razões legais ou até mesmo o nível de pobreza dos alunos. Pobres alunos!

Enquanto isso, nos jornais europeus de ontem, o governo britânico celebrava os resultados de sua decisão – na virada do século – de mudar o currículo da alfabetização e obrigar as escolas a utilizar métodos cientificamente apropriados para alfabetizar as crianças.

Nesta semana, uma avaliação internacional de leitura confirmou o acerto da decisão britânica, que hoje ocupa o oitavo lugar em um ranking de 50 países. Outro dado relevante (para quem não ignora as evidências): 58% dos alunos britânicos de 6 anos de idade atingiram os padrões ao final do primeiro ano escolar e 92% ao final do segundo ano. Vale afirmar que, por suas características, a língua inglesa é a que mais apresenta dificuldade para a aprendizagem da leitura.

Além do sucesso da reforma curricular, realizado com bases científicas, vale a pena entender como é o teste: uma lista de 40 palavras e pseudo-palavras. Vale contrastá-lo com o que o MEC acaba de divulgar – um estranho teste chamado ANA – Avaliação Nacional da Alfabetização. Entre outras jabuticabas, o teste brasileiro é tão estranho que neles os alunos obtêm resultados na escrita superiores aos de leitura. Nada disso suscitou qualquer reação da comunidade acadêmica.

Por falar em jabuticaba, em breve, ao que tudo indica nesta quinta-feira, o país assistirá ao ridículo espetáculo da “votação” da proposta da Base Nacional Curricular Comum.

No próximo ano, teremos nova chance de eleger nossos governantes. Quem sabe as coisas começam a mudar.

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