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Dora Kramer Por Coluna Coisas da política. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

O tranco da carroça

Desarticulada, oposição deixa Bolsonaro como protagonista da cena política

Por Dora Kramer Atualizado em 11 fev 2021, 09h30 - Publicado em 11 fev 2021, 09h29

Há uma velha expressão que se aplica bem ao momento que vivem os partidos que ambicionam ocupar o lugar do presidente Jair Bolsonaro a partir da eleição de 2022: “É no tranco das carroças que se arrumam as abóboras”.

As trocas de comando no Congresso funcionaram como o tranco, as abóboras são os partidos e a carroça a articulação das forças políticas para o processo de sucessão. Na atual conjuntura a palavra mais adequada na verdade seria desarticulação.

No DEM se expôs a evidência de que a legenda não é tão de oposição a Bolsonaro como queria fazer crer o então presidente da Câmara, Rodrigo Maia. No PSDB veio à tona uma enorme confusão provocada pelo afã do governador João Doria em dominar o partido, o que causou a irritação dos adversários internos.

No PT a orientação do ex-presidente Lula para que Fernando Haddad pusesse o bloco de candidato na rua fez com que partidos como PC do B, PSOL e PDT se manifestassem dizendo um “alto lá” à ideia petista de comandar o campo da esquerda.

O que une essas três legendas é a ausência de um projeto de país para apresentar à população. O exercício da crítica é papel da oposição, mas enquanto isso não vem acompanhado de um programa que diga ao eleitor por que exatamente deve dar seu voto a esse ou àquele partido, o presidente Bolsonaro segue ocupando com exclusividade o papel de protagonista da cena política.

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