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Dora Kramer Por Coluna Coisas da política. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Nada a ver com 22

Não será agora que eleição no Congresso determinará o resultado da presidencial

Por Dora Kramer 27 jan 2021, 09h05

Nunca, ao menos na História recente, uma eleição para as presidências da Câmara e do Senado determinou ou sequer influiu no resultado da escolha do presidente da República que pelo cronograma político ocorre quase dois anos depois. Não será desta vez que essa determinante estará presente.

No máximo, a disputa parlamentar serve de indicativo sobre a força e a influência do Executivo no Congresso. Ainda assim, isso só ocorre de maneira acentuada quando há oponentes de identificação governo/oposição marcadamente diferentes. Um exemplo: quando o deputado Arlindo Chinaglia perdeu para Eduardo Cunha, em 2015, o resultado sinalizou a situação precária da então presidente Dilma Rousseff que insistiu num candidato do PT e no ano seguinte sofreria impeachment.

Nada parecido ocorre agora quando não há diferenças radicais entre os principais adversários que, aliás, fazem discursos relativamente amenos entre si. Os dois candidatos que não têm o apoio explícito do Planalto, a senadora Simone Tebet e o deputado Baleia Rossi, deixam claro que a ideia deles não é fazer do Congresso uma cidadela de oposição. Falam em “autonomia” do Parlamento, bandeira absolutamente igual à dos preferidos de Bolsonaro, o senador Rodrigo Pacheco e o deputado Arthur Lira.

O cenário de batalha pré-eleitoral pode até servir como arma na batalha de comunicação com a opinião pública, mas não reflete o quadro real da cena de 2022, cujo desenho será definido ao longo dos próximos meses e dependem do desempenho do atual presidente e muito pouco ou quase nada dos presidentes da Câmara e do Senado. Independentemente de quem sejam.

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