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Dora Kramer Por Coluna Coisas da política. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Jogada ensaiada

Bolsonaro deu uma no cravo, com auxílio, e outra na ferradura, com reforma

Por Dora Kramer - 2 set 2020, 11h28

O anúncio “casado” da extensão do auxílio emergencial no valor de 300 reais e o envio da reforma administrativa ao Congresso prometida para quinta-feira 3 foi uma jogada ensaiada no Palácio do Planalto pelos conselheiros mais competentes do presidente da República que dão expediente dos dois lados da Praça dos Três Poderes.

Dependesse da vontade de Bolsonaro, ele levaria a prorrogação do auxílio no montante de três notas de 100 reais sem precisar entregar a reforma. Correria o risco, e disso deram conta os referidos conselheiros, de ter o valor alterado no Legislativo. De um lado, isso poderia lhe render aplausos e popularidade entre os beneficiados, mas de outro sinalizaria o abandono aos preceitos da responsabilidade fiscal abrindo espaço para o que o ministro Paulo Guedes já chamou de “caminho para o impeachment”.

Com o acerto prévio com lideranças e as presidências da Câmara e do Senado, paga a eles e a Guedes o “pedágio” da reforma e consolida o compromisso de Davi Alcolumbre e Rodrigo Maia na tramitação da MP do auxílio emergencial. Obviamente haverá tentativas para a alteração no valor ao mesmo tempo em que Bolsonaro vai se manter dúbio na defesa da reforma.

Nos dois temas os presidentes das Casas congressuais funcionarão como fiadores do sucesso que, se confirmado, renderá bônus eleitorais para Jair Bolsonaro. É assim que funciona.

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