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Claudio Lottenberg Mestre e doutor em Oftalmologia pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp), é presidente do Instituto Coalizão Saúde e do conselho do Hospital Albert Einstein

Vacina boa é a que chega até nós

As vacinas hoje em uso no mundo podem ter variação no desempenho em termos de efetividade e redução de mortalidade – mas são todas seguras

Por Claudio Lottenberg 14 jun 2021, 10h32

O Brasil figura entre os países em que a vacinação contra Covid segue da forma mais lenta. Em um processo iniciado em 17 de janeiro, ainda não se conseguiu imunizar (vacinar com duas doses) nem 15% da população brasileira adulta. Vemos também seguidas revisões para baixo na produção de vacinas, devido aos constantes atrasos na entrega de insumos. O cenário é de escassez de vacinas. Ainda assim, tem se tornado comum a prática da escolha de vacina.

A OMS (Organização Mundial de Saúde) aprovou para uso emergencial as vacinas de Pfizer, AstraZeneca, Johnson & Johnson, Moderna, Sinopharm e Coronavac (esta foi o acréscimo mais recente à lista, no dia 1º deste mês). Ainda há desinformação relacionada às diferentes vacinas, não só quanto às que já estão em uso no Brasil, mas também quanto às que ainda não chegaram aqui. As vacinas hoje em uso no mundo são produzidas de formas diferentes e podem ter variação no desempenho em termos de efetividade e redução de mortalidade – mas são todas seguras. Um estudo realizado no Uruguai, por exemplo, mostrou que a redução da mortalidade por Covid-19 foi de 97% após 14 dias desde a última dose da Coronavac. O Brasil também tem um estudo como esse – realizado na cidade de Serrana (interior de SP) que mostrou que, com 75% da população serranense imunizada com Coronavac, os óbitos por covid-19 caíram 95%.

Estes e outros estudos apontam que todos os imunizantes têm se mostrado eficazes. A vacina da Pfizer reduziu infecções sintomáticas em 97% e as assintomáticas, em 86%, segundo estudo conduzido em Israel, junto a 6.710 profissionais da área da saúde acompanhados entre 20 de dezembro de 2020 e 25 de fevereiro deste ano. A vacina da Moderna registrou 94,1% de eficácia contra casos sintomáticos de covid-19 durante os testes clínicos. Outro estudo, este no Reino Unido, mostrou que a vacina AstraZeneca/Oxford mostrou eficácia de 82,4% com intervalo de três meses entre as duas doses. Além disso, em outros países algumas delas já estão autorizadas inclusive para uso em adolescentes e mesmo em crianças.

Como se vê, não há diferenças significativas entre os imunizantes disponíveis que justifiquem a preferência por um ou outro.

Vivemos no Brasil uma escassez de vacinas. A vacinação segue a passos indesculpavelmente lentos por aqui, enquanto já vemos se configurar uma terceira onda da doença no país, num cenário de aumento de casos e saturação crítica de hospitais e leitos de UTI. A vacina, é bom lembrar, não é uma proteção absoluta contra infecção ou reinfecção: o objetivo é conter o avanço da doença, de forma a reduzir o número de óbitos e diminuir a pressão sobre a rede de saúde. Continuam válidas as medidas de proteção: lavagem constante das mãos, uso de máscara e de álcool em gel e o distanciamento social. Até que a vacinação tenha avançado – e muito –, essas medidas são o que temos para nos proteger.

Sair da pandemia passa necessariamente pela vacinação, sempre é bom que se ressalte isso – e também que a imunização só estará completa com as duas doses: dados recentes da USP (Universidade de São Paulo) e da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) mostram que mais de 4 milhões de pessoas não foram tomar a segunda dose da vacina. O que é preciso é fazer com que a vacinação ganhe velocidade – e preferir uma ou outra vacina só tende a desacelerar o processo.

Muito tempo dentro desta pandemia foi gasto em discussões acessórias, e preferência por vacina é mais um exemplo desse tipo. Não existe vacina boa ou ruim. Vacina boa é a que chega até nós. Receba-a com confiança e otimismo.

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