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Claudio Lottenberg Mestre e doutor em Oftalmologia pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp), é presidente do Instituto Coalizão Saúde e do conselho do Hospital Albert Einstein

O longo caminho para uma vacina

As grandes descobertas científicas, que impactam a nossa vida, acontecem a partir do acúmulo de conhecimento no decurso do tempo

Por Da Redação Atualizado em 1 jun 2020, 13h50 - Publicado em 1 jun 2020, 13h49

A melhor solução de longo prazo para terminar a pandemia do coronavírus e ajudar na reabertura dos países é a vacina. Cerca de 125 equipes buscam neste momento alternativas para desenvolvê-la. Não há, no entanto, garantia de sucesso, já que calibrar os efeitos de uma vacina sobre o sistema imunológico – para que o fármaco seja capaz de proteger o organismo contra um invasor sem grandes efeitos colaterais – é um processo que sempre envolve muita tentativa e erro.

Também vai ser necessário otimizar os processos industriais indispensáveis à produção e à distribuição de uma vacina em larga escala. Tais processos variam muito de acordo com o tipo de vacina e vão afetar a maneira como as doses chegarão às pessoas.

Segurança de vacina não é como a de remédio. A vacina pode causar efeitos anos depois, embora na situação que estamos ninguém queira discutir isso. Todos estão sedentos de boas notícias e quem falar nisso agora será execrado.

A vacina parece induzir boa imunidade e isso é ótimo. Em situações normais, vacinas e remédios passam por um longo e complexo rito antes de serem aprovados para uso em seres humanos. Tudo começa com os estudos pré-clínicos, que são feitos em amostras de células e cobaias, nas bancadas de laboratórios. Dando tudo der certo, o passo seguinte são as pesquisas clínicas, que envolvem testes com seres humanos. Esse estágio é dividido em três fases, em que são testadas a segurança e a eficácia daquele novo produto. Em cada uma, o número de voluntários envolvidos aumenta, o que garante confiança e solidez ao processo.

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Todas essas informações são divulgadas em publicações científicas, como The Lancet, Journal of the Americal Medical Association, Nature e Science. Isso permite que outros cientistas, que não estão necessariamente envolvidos com o assunto, possam checar e analisar os dados.

Essa estratégia, consagrada há décadas, ainda ajuda a repetir o mesmo experimento utilizando os mesmos métodos num outro contexto, para ver se os resultados são iguais. As grandes descobertas científicas, que impactam a nossa vida, acontecem a partir do acúmulo de conhecimento ao longo do tempo.

Os números dão uma noção do rigor de todo esse procedimento: de cada 5 mil novas moléculas que são testadas em todas aquelas fases mencionadas, apenas uma consegue passar com sucesso e ser aprovada para uso comercial. Os laboratórios gastam, em média, US$ 2,6 bilhões em todo esse caminho, que costuma ser trilhado em cerca de 12 anos.

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