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Cidades sem Fronteiras Por Mariana Barros A cada mês, cinco milhões de pessoas trocam o campo pelo asfalto. Ao final do século seremos a única espécie totalmente urbana do planeta. Conheça aqui os desafios dessa histórica transformação.

Para Banco Mundial, pobres são as principais vítimas das mudanças climáticas

Inundações como a de Mariana devem se tornar mais frequentes nos próximos anos, mas causadas por outro tipo de omissão

Por Mariana Barros Atualizado em 5 dez 2016, 11h46 - Publicado em 12 nov 2015, 06h06
Vista da devastação provocada pelo rompimento da barragem da mineradora Samarco no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (MG): prenúncio do que as mudanças climáticas trarão (Foto Divulgação/VEJA)

Vista da devastação provocada pelo rompimento da barragem da mineradora Samarco em Mariana (MG): prenúncio do que as mudanças climáticas trarão (Foto Divulgação/VEJA)

Hoje esse cenário devastador completa uma semana. A cena, causada pelo rompimento de duas barragens da mineradora Samarco em Mariana, dá a dimensão do que representa para uma cidade passar por uma inundação de grandes proporções. Na tragédia mineira, a omissão tanto das empresas responsáveis quanto do governo federal continuam impressionando diariamente. O Ministério Público aponta a negligência da Samarco como a principal causa. Mas é provável que ondas de lama como esta que assolou Mariana se tornem mais frequentes ao redor mundo. Nesses casos, o motivo será outro tipo de negligência, um tipo que o Banco Mundial detalhou no recém-divulgado relatório Shock Waves: Gerenciando os Impactos das Mudanças Climáticas sobre a Pobreza.

Segundo o documento, faltam medidas para proteger os que mais sofrem com a ameaça das mudanças climáticas: os pobres. São eles os atingidos com maior intensidade por qualquer que seja o tipo de desastre, inundação, terremoto ou furacão. Também são mais prejudicados por longos períodos de estiagem ou de chuvas, que tendem a se alternar com maior frequência nos próximos anos em várias regiões do planeta.

Um trecho do relatório aponta para o aumento do risco de inundações das áreas pobres urbanas, acrescentando que essas populações são as que se estabelecem com maior frequência em áreas de manancial.

Em laranja, os países onde inundações serão mais prováveis

Em laranja, os países onde inundações serão mais prováveis

O relatório mostra ainda que, se o atual padrão de aquecimento for mantido pelos próximos quinze anos, 100 milhões de pessoas que haviam ultrapassado a linha da pobreza serão novamente empurradas para baixo dela. E as regiões mais atingidas serão exatamente as mais carentes, África subsaariana e sul da Ásia.

“As pessoas pobres são fortemente afetadas por doenças e problemas de saúde que a mudança climática deve ampliar”, diz o Banco Mundial. O grupo deve ser particularmente atingido pela queda da produção agrícola mundial, problema já previsto pelos ambientalistas e que ameaça o setor-chave para países emergentes e o meio de subsistência para muitas famílias.

Em 2030, a perda da produtividade de certas culturas será tamanha que o preço dos alimentos na África subirá 12%. Se considerarmos que essas populações gastam 60% de sua renda com alimentação, fica difícil imaginar como irão lidar com o aumento. O mais provável é que haja maior incidência de desnutrição– a do tipo crônica grave deve aumentar em 23%.

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Além da desnutrição, a malária é outro grave problema potencializado pelo aumento das temperaturas. Locais quentes são mais favoráveis à transmissão da doença. De acordo com o Banco Mundial, a elevação de 2ºC a 3ºC representa 5% de crescimento no número de vítimas, o equivalente a 150 milhões de pessoas. Calor e a escassez de água devem tornar mais frequentes os casos de diarreia. Com a saúde comprometida, crianças deixarão de ir à escola e adultos deixarão trabalhar, agravando também a situação econômica e a capacidade dessas pessoas de vencer a pobreza.

Mas o relatório também aponta para uma saída. O primeiro passo é estabelecer o combate à pobreza como prioridade mundial e tomar medidas específicas para ajudar essas pessoas a lidar com os choques climáticos. Entre as sugestões, estão a criação de sistemas de alerta e proteção contra enchentes e o cultivo de alimentos resistentes ao calor. Seja no Brasil, na África ou na Índia, novos desastres ambientais são questão de tempo. E proteger os mais vulneráveis, uma corrida contra o relógio.

 

Por Mariana Barros

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