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Vou sentir saudades

A crise do governo Dilma teve um lado positivo: uniu milhões de brasileiros, criou bordões, memes e personagens inesquecíveis

O governo Dilma está acabando, e é ótimo que acabe, mas preciso dizer que terei saudade dos constrangimentos diários que o PT se impôs e do movimento pelo impeachment da presidente. Vou sentir uma saudade enorme dos discursos da Dilma, engraçados de tão indecifráveis, das memes inspiradas na saudação à mandioca, dos milhares de panelas retumbando nas varandas durante a propaganda eleitoral do PT, da mulher sapiens, do Pixuleko e dos Pixulequinhos, dos áudios do Lula, do repórter da Globonews tremendo ao ler o conteúdo do áudio entre Dilma e Lula, do protesto espontâneo que ajudei a formar em Copacabana pouco depois do Moro ter liberado os áudios, do estilo metaleira dos discursos da Janaina Paschoal, do estilo indie-dos-pampas da Banda Loka Liberal, “tamo na rua pra derrubar o PT”, dos funcionários de uma padaria de São Paulo tirando sarro de quem ainda defende o governo, das senhoras que acamparam em frente ao apartamento de Renan Calheiros em Maceió pedindo o apoio dele ao impeachment, do amigo negro que foi à passeata com o cartaz “elite branca contra o PT”, do estoque de vento, do tubo de dentifrício, da multidão gritando na Paulista “Dá-lhe dá-lhe dá-lhe dá-lhe Moro!”, das projeções em raio laser do MBL nas paredes do Congresso, da tolice da Jandira Feghali ao filmar Lula dizendo grosseria ao telefone, das malandragens de Eduardo Cunha (em quem o termo “Meu malvado favorito” encaixa perfeitamente), da República de Curitiba, dos amigos petistas se debatendo com o fato do povo rejeitar o PT, dos moradores aplaudindo nas janelas enquanto a passeata passava pela avenida Nossa Senhora de Copacabana, das vaias ao Aécio nos protestos, das acrobacias intelectuais dos petistas para justificar por que é ok a empreiteira bancar a reforma do tríplex e do sítio, da hashtag #tchauquerida, dos políticos mais obscuros que de repente viraram ministros do governo Dilma, das camisetas “A culpa não é minha, eu não votei nela”, das pessoas que desciam dos prédios em Copacabana para engrossar a passeata, dos buzinaços às três da tarde de uma sexta-feira, do meu filho destruindo a panela na varanda e se esgoelando ao gritar “Fora, Dilminha!”, de tudo isso eu vou sentir uma enorme saudade. Mas que bom que acabou.

@lnarloch

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  1. Comentado por:

    Maikon

    Desculpe, respeito sua opinião mas discordo dela. O Sr Jean só defende seus interesses individuais e não tem capacidade intelectual para defender suas opiniões, pois já vi videos dele onde foi massacrado pela sua plateia ficando sem saber o que responder, por não estar devidamente preparado ou por incapacidade. Por outro lado o Sr Jair Messias Bolsonaro defende os interesses coletivos, a recuperação da segurança extinta de nosso pais, defende a família, o comercio com países de primeiro mundo como Europa e EUA, saúde, educação, a extinção dos direitos humanos para bandidos, buscas por tecnologias de outros países para serem implantadas nos estados de mais necessidade do nordeste, entre outros. O MITO como e conhecido, aceita responder perguntas de qualquer um, sobre qualquer assunto e o faz muito bem, mostrando seu alto nível intelectual.
    Não estive na “ditadura”, mas pelo que pesquiso foram os anos em que o nosso pais mais cresceu, chegando a 14%(crescendo o dobro que a china hoje), nesse período foram construídas as maiores obras do século 20, como: a ponte Rio-Niterói, as hidrelétricas de Itaipu e Tucuruí, a rodovia Transamazônica, Angras 1, 2 e 3, a BR Perimetral-Norte, sem contar nas empresas como a Infraero, Embrapa e Petrobras, etc. Também foi criado direitos como 13° salario, FGTS, PIS, PASEP, entre muitos outros. Bolsonaro defende essa época porque querem manchar nosso exercito do qual deveríamos ter orgulho, pois temos nossa liberdade hoje graças a eles.
    Jair Messias Bolsonaro meu candidato para 2018!
    Um abraço a todos!!!

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  2. Comentado por:

    João

    Já eu não aguento nem mais 20 segundos disso. Essa abominável mistura de rosnado da boçalidade com a vitimização dos tristinhos consumidos pela dor com que a esquerda assedia moralmente o país nesses dias. MST ameaçando/artistas choramingando, Dilma berrando rudemente ao lado de algum movimento petista/Dilma vítima dando entrevista a repórteres que saíram das faculdades mais petistas que o Rui Falcão. O papo-Lewandowski, o papo-Renan, eu não aguento mais isso. Nem o Brasil aguenta. Enquanto isso as lojas fecham e tá cheio de desempregado na minha família.

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